Quando as residências familiares são organizadas, seja somente com casais jovens, com crianças ou com várias gerações convivendo sob o mesmo teto, sempre há espaços destinados aos encontros sociais, definindo um território que atende desejos e necessidades de toda a família. A sala de estar, assim como possíveis ambientes em varandas e jardins destinados a momentos de conversa ou simples contemplação, são lugares que possibilitam o intercâmbio de experiências construtivas e tornam-se referência nos momentos de lazer.
Nos residenciais para idosos não deveria ser diferente, mas nem sempre é possível encontrar ambientes configurados para essa finalidade. Há uma flagrante preferência por salas de TV, onde nem todos assistem à programação e, mesmo assim, raramente interagem entre si. Mas isso se agrava quando há visitas de amigos ou familiares, que podem requerer privacidade e acabam optando pelo apartamento do idoso, geralmente compartilhado com outro morador. Assim, torna-se uma alternativa nem sempre disponível, o que pode dificultar as relações e diminuir as visitas.
E o que dizer de idosos que não têm filhos ou netos para visita-los? Muitos nessa condição acabam por apreciar a atenção de outros visitantes, o que pode gerar novas amizades e valorizar os indivíduos que demonstram estarem abertos a novos relacionamentos. Na Espanha, um neto que visitava seu avô conheceu outro idoso que não teve filhos, e sentia a falta de netos. A partir daí, desenvolveu a campanha Adote um Avô (https://papodepai.com/adote-um-avo-projeto-combate-solidao-idosos/), oferecendo uma nova oportunidade de voluntariado, trazendo companhia e alegria para idosos que não recebem visitas de nenhum familiar em moradias institucionais.
Mais de 1000 avôs e avós já foram “adotados” desde então, numa iniciativa que conta com mais de 200 voluntários.
Ambientes de estar estimulantes permitem atividades que vão desde bate-papos descontraídos até rodas de conversa programadas como exercício cognitivo. No caso de parentes que estendem sua atenção a outros moradores, se houver conjuntos de estar com poltronas e sofás arranjados de modo a que todos possam se enxergar, haverá a integração de outros que desejam participar. Mesas de apoio flexíveis, que possam ser remanejadas sem criar barreiras nos espaços de circulação, possibilitam diferentes usos, desde apoiar copos e objetos pessoais até serem suporte para material de atividades. Com luzes auxiliares no lugar de abajures, a sala de estar assemelha-se àquelas que todos tiveram em suas residências originais.
A velhice deveria ser o período da vida em que as pessoas mais são acolhidas e rodeadas de amor, mas infelizmente não é o que acontece. Se os residentes idosos perceberem a moradia como seu lar, certamente estarão mais propensos a travar novas amizades, preenchendo vazios deixados pela falta de descendentes ou pelo abandono.


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