O que fazer quando os familiares percebem que a pessoa idosa se sente só?

Estudos recentes têm apontado que a solidão se tornou um fenômeno crescente na sociedade contemporânea, vista a aceleração das atividades em função da instantaneidade das comunicações. Portanto, a ausência de cuidadores familiares para pessoas idosas acarretou a terceirização, solução nem sempre adotada em função de preconceito, incapacidade financeira ou por serem desconsiderados os riscos da solidão. Se antes vivia-se menos, mas com maior sensação de segurança, o que proporcionava oportunidades de encontros em lugares públicos, incluindo as cadeiras nas calçadas, aos poucos a tendência a refugiar-se em casa foi afastando as pessoas, especialmente as idosas. Todos esses fatores provocam a necessária discussão sobre os efeitos nocivos de considerar-se normal que essas pessoas escolham ficarem sós, tema apresentado na matéria do jornal espanhol El País (https://elpais-com.cdn.ampproject.org/c/s/elpais.com/opinion/2023-01-18/la-epidemia-silenciosa-de-la-soledad.html).

Solidão escolhida não é o mesmo que solidão indesejada: o isolamento social gera dores que afetam a qualidade de vida e a saúde, principalmente nos idosos. Tem sido chamada de epidemia silenciosa porque muitas vezes ocorre na privacidade do lar, mas numerosos estudos mostraram que é um importante fator de risco para doenças e morte prematura.

Quando os familiares percebem que a pessoa idosa se sente só, é importante aproximar-se do assunto para verificar meios de trazê-la a atividades produtivas ou mesmo para resgatar antigas rotinas que porventura tenham sido abandonadas. O convívio constante com pouca interação não possibilita a detecção de sintomas depressivos, agravados quanto mais tempo se tornem obstáculos para o bem-estar.

Vivemos mais e muitos dos anos ganhos são com melhor qualidade de vida. Essa é uma grande conquista social, mas a maior longevidade torna a solidão especialmente dolorosa a partir do momento em que se manifestam as três crises do envelhecimento: a de identidade, em que a pessoa sente que não é mais quem era; a da autonomia, quando perde a capacidade física e mental, e a do pertencimento, quando seus pares estão morrendo e ele deixa de ter relações sociais.

E não bastam contatos pontuais em visitas rápidas ou utilizando meios à distância, conforme outra matéria do mesmo jornal (https://elpais.com/opinion/2022-05-19/la-soledad-es-politica.html):

… estar conectado por meio de dispositivos e redes sociais não implica de forma alguma estabelecer vínculos significativos, pois é, na melhor das hipóteses, uma comunicação padronizada e ordenada por meio de um meio que estabelece seu enquadramento, enquanto a presença introduz espontaneidade, proximidade e criatividade.

A velhice é a fase da vida quando se faz o balanço de lições aprendidas com os erros e acertos. Aprender com quem já tem muito a ensinar é um privilégio.

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