Como conceber uma moradia para idosos que os atenda em todas as fases da velhice?

Políticas públicas de habitação para pessoas idosas ainda são raras no Brasil, embora haja discussões sobre essa necessidade a partir das mudanças demográficas, a cada dia mais significativas. A partir de iniciativas do governo municipal de São Paulo, podemos encontrar soluções como centros de acolhida para pessoas ainda com autonomia e instituições de longa permanência para idosos, considerando a necessidade de cuidados mais intensivos. Pessoas idosas em situação de rua são atendidas quando já perderam vínculos originais, passando a buscar novas referências. Portanto, é necessária uma nova mudança em cada fase, acarretando também o rompimento de possíveis vínculos antes construídos. 

Na Espanha, no município de Errenteria, a prefeitura definiu um projeto que poderá atender as necessidades do morador idoso desde sua entrada com autonomia até quando houver possíveis fragilidades que exijam cuidados intensivos (https://errenteria.eus/es/2023/03/14/el-ayuntamiento-de-errenteria-presenta-el-anteproyecto-de-viviendas-para-toda-la-vida-destinadas-a-personas-mayores/).

Fruto do conhecimento adquirido com as visitas e acompanhamento especializado, a ideia inicial transitou para um projeto que melhor responde às necessidades dos idosos. Entre outras questões, foi avaliado o fato de que, em moradias supervisionadas, os idosos geralmente precisam sair de casa quando desenvolvem algum grau de dependência, com o transtorno que isso acarreta.

O impacto da mudança representa a necessidade de reconhecer-se parte do novo grupo, sejam outros moradores ou a equipe de assistência. O pertencimento reinicia do zero, agravando ainda mais a fragilidade que acomete o morador, já sensibilizado por perdas físicas e cognitivas.

No entanto, com o projeto de habitação vitalícia que a Câmara Municipal e a Fundação Matia elaboraram, os utentes vão ter acesso a estas casas, podendo nelas continuar também quando necessitarem de cuidados. Em outras palavras, são os próprios serviços sociais e o ecossistema local de atendimento que vão se adaptar às novas necessidades dessas pessoas.

Outro fator importante refere-se às diferentes necessidades físicas em cada fase, sendo que o espaço construído pode estimular ou inibir as atividades em cada uma delas. Nesse caso, prever essas necessidades faz com que seja possível permanecer com conforto e segurança por mais tempo.

Isso exige que o projeto desses equipamentos considere desde o início tanto o modelo de atendimento específico quanto as necessidades futuras. Portanto, outra diferença substancial em relação às habitações vigiadas é a sua superfície: as habitações vigiadas têm 25-30 m², estas são maiores.

Precisamos pensar novas alternativas, principalmente em políticas públicas. Envelhecer com dignidade é possível, racionalizando custos e criando comunidades mais felizes e saudáveis, tornando o compromisso do município ainda mais alinhado com as atuais e futuras necessidades dos cidadãos.

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