Há soluções de moradia para pessoas idosas que podem se tornar políticas públicas para evitar a solidão?

Buscam-se alternativas de moradia para pessoas em vulnerabilidade social de diversas formas: há serviços de assistência social que procuram atender as necessidades básicas dessas pessoas, o que nem sempre oferece mais do que abrigo, alimentação e vestuário. É necessário um atendimento à manutenção da saúde física e o encaminhamento a ambulatórios especializados já garante um controle mínimo para a qualidade de vida. Mas há questões a serem abordadas sem medicamentos, que dependem da qualidade dos encontros possíveis entre os sujeitos atendidos. Nesse contexto, a solidão acomete muitas pessoas idosas que até podem estar com familiares, mas nem sempre com a atenção e o cuidado que decorre da construção real de vínculos nos relacionamentos.

O ativista da longevidade Jose Carreira, fundador do Movimento Ibero Americano Stop Idadismo, publicou uma interessante reflexão sobre uma solução que pode minimizar as consequências da solidão de pessoas idosas (https://www.ruadireita.pt/opiniao/casas-multigeracionais-uma-solucao-contra-a-solidao-44854.html). Juntamente com o Dr. Alexandre Kalache, escreveu uma proposta para que o governo português buscasse “inspirar o mundo, tornando-se um país mais amigo de todas as idades, onde vencer a solidão seja um objetivo maior”.

Tive a oportunidade de conhecer o projeto Casas Multigeracionais, na Alemanha, lugares de encontro onde se promove e vivência, ativamente, a convivência entre as gerações. Estas estruturas oferecem espaços para uma panóplia diversificada de atividades conjuntas e criam um sentimento de união e pertença na comunidade. 

A busca por soluções que efetivamente ofereçam condições para que haja efetivo senso de pertencimento dos residentes são ainda bastante raras, apesar dos esforços das organizações sociais que se dedicam aos equipamentos de acolhimento. A intergeracionalidade oferece oportunidades de trocas estimulantes, a depender da disponibilidade de cada ator social nas atividades promovidas coletivamente. No caso citado anteriormente, os residentes das casas multigeracionais comprometem-se a oferecer suas habilidades para o bem-estar de todos.

Os interessados podem contribuir com as suas experiências e competências e, ao mesmo tempo, beneficiarem do conhecimento e das capacidades de outras pessoas. Este programa é uma iniciativa do estado alemão, em parceria com os municípios e as organizações da sociedade civil e contribui para a promoção da coesão social e da convivência democrática.

A parceria entre os governos e a sociedade civil sempre possibilita o desenvolvimento de novas soluções, quando há efetiva dedicação a acompanhar a evolução da sociedade e as novas dinâmicas que a acompanham. Se a longevidade aumenta e a natalidade diminui, será fundamental experimentar alternativas que possam acomodar de modo mais adequado a população que necessita desse acolhimento.

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