A cada novo recenseamento, fica mais evidente o aumento da longevidade e a necessidade de observar a oferta de produtos e serviços para esse público crescente. Pessoas idosas estão estendendo o tempo de trabalho não somente como meio de manter o padrão econômico, mas também por perceber que a experiência pode oferecer lições aprendidas para novos profissionais. Viver mais indica a possibilidade de aproveitar mais a vida, desde que seja confortável e segura. A reportagem publicada no The Economist aponta para o aumento de centenários no cenário mundial (https://www.economist.com/leaders/2023/09/28/living-to-120-is-becoming-an-imaginable-prospect).
Até agora, os progressos alcançados no aumento da esperança de vida resultaram da luta contra as causas de morte, especialmente as doenças infecciosas. O próprio processo de envelhecimento, com os males que o acompanham, como a demência, ainda não foi retardado. Desta vez, essa é a intenção.
A tecnologia direcionada às pesquisas na área médica já demonstram caminhos, em especial considerando que o resultado será mais efetivo se adotado a partir de uma perspectiva biopsicossocial. O profissional gerontólogo é um integrador de disciplinas e, portanto, torna-se cada vez mais imprescindível nesse contexto.
Um motivo de preocupação é o cérebro das pessoas. Retardar o envelhecimento corporal não mudará o fato de o cérebro ter uma capacidade finita e estar presumivelmente adaptado pela seleção natural à esperança de vida convencional. Isto é bastante distinto das preocupações com a demência, que é causada por doenças específicas. A sociedade terá, portanto, de encontrar formas de se adaptar ao envelhecimento normal do cérebro: os centenários podem, por exemplo, encontrar-se cada vez mais ocupados em fazer perguntas aos seus assistentes diários, cujas respostas uma vez teriam lembrado.
Os diversos aspectos que acompanham essa mudança demográfica já apontam para a necessidade de novas iniciativas que atendam o público idoso, exigindo políticas púbicas que incluam igualmente cidadãos de diferentes faixas socioeconômicas e que garantam a igualdade a todos.
O fato de muitas pessoas viverem muito mais tempo teria amplas ramificações. Muito obviamente, a vida profissional será prolongada, como já aconteceu, à medida que a esperança de vida aumentou, e possivelmente ainda mais para as mulheres, que perderão menos das suas carreiras por terem filhos, talvez diminuindo a desigualdade no local de trabalho. Com o tempo, poderão ocorrer mudanças mais profundas. As pessoas que vivem mais tempo podem preocupar-se mais com ameaças que estão mais distantes, como o estado do mundo em 2100. A longevidade permite a acumulação paciente de capital, um fator na emergência de uma classe média.
Morar bem depende do que oferece conforto e segurança a cada indivíduo, especialmente pertencente a comunidades que ofereçam o suporte necessário.

