Em um mundo com tantas transformações, qual fator afeta mais gravemente no isolamento social?

A cada dia mais, fica evidente que a enxurrada de informações que são recebidas diariamente afeta a saúde mental das pessoas. Acordos de paz em zonas de conflito, com populações dizimadas e outras em busca dos seus direitos, tornaram-se notícias frequentes e em tons de tragédia. Mudanças climáticas com aumento do aquecimento, que acarretam incêndios terríveis e que arrasam cidades inteiras, ou inundações que obrigam muitas famílias a retomarem a vida do zero, por perderem objetos e até a própria moradia. Surtos virais que fazem lembrar a agonia pela Covid-19, que se alastrou pelo mundo e não respeitou idades, classes sociais ou culturas, levando à morte muitas pessoas e causando um outro surto que ainda não arrefeceu: o da desinformação. Golpes pela internet e notícias falsas são comentadas a todo momento, provocando medo e criando dificuldades àqueles que ainda não estão preparados para enfrentar a maldade criativa de pessoas mal-intencionadas. A inteligência artificial, já tão presente no dia a dia de todos, começa agora a servir a propósitos construtivos, sejam relacionados a procedimentos que agilizam o desenvolvimento de pesquisas, seja para ampliar os recursos para a educação em todos os níveis, seja para aperfeiçoar os processos de garantia da segurança pública ou, mesmo, seja para oferecer mais conforto para uma vida mais ativa na moradia. Porém, mostrou-se útil para enganar, escondendo criminosos cruéis através de telas de computador, atingindo o seio da família muitas vezes através dos seus componentes mais frágeis: crianças e pessoas muito idosas.

Todos esses aspectos resultaram em uma sociedade mais ansiosa, preocupada constantemente por sentir-se desprotegida e, por consequência, mais egoísta. A pandemia que afetou o Brasil a partir de 2020 foi causadora de graves problemas de saúde mental, mas há outros fatores, tais como os mencionados, que culminam em isolamento social e fuga das oportunidades de convivência. Portanto, o fator que mais afeta o isolamento social é a solidão, o que tem levado muitos governos a instituírem programas que buscam reverter as consequências danosas dessa situação que se expande silenciosamente. O advogado Ronaldo Lemos escreveu sobre iniciativas desse tema ao redor do mundo (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2024/11/vivemos-uma-epidemia-de-solidao.shtml).

A capital sul-coreana é a mais nova integrante do clube de governos que estão combatendo isolamento social com política pública. (…) Em Seul, as “mortes por solidão” têm crescido ano a ano. O fenômeno afeta principalmente homens (84% dos casos) na faixa dos 50 e 60 anos (50% dos casos).

O autor descreve programas estabelecidos no Japão, Inglaterra e Estados Unidos, com dados alarmantes sobre o problema. Em 2023 a Organização Mundial de Saúde decretou a solidão como prioridade global de saúde. O Brasil não está na comissão criada pela OMS para discutir o problema, mas já há pesquisas que o apontam como um dos países em que as pessoas mais sentem solidão. É preciso compreender que o processo de envelhecimento fica prejudicado se não houver conexões positivas com a comunidade à qual cada pessoa pertence, importante fator para uma moradia adequada a todos.

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