No dia 24 de março comemoramos o dia nacional deste profissional que integra disciplinas para a gestão do envelhecimento: o gerontólogo, a partir da formação em áreas que impactam o conhecimento biopsicossocial, necessário para a compreensão de desejos e necessidades de pessoas ao longo da vida. Sendo a velhice a fase em que pode aumentar o declínio de capacidades, em especial de mobilidade e cognitiva, preparar-se para a manutenção de uma vida ativa começa na avaliação dos espaços de vida, desde a unidade habitacional que resguarda a privacidade dos moradores até o alcance de equipamentos da comunidade, sendo comércio, serviços e transporte os responsáveis por importantes conexões para conforto e segurança do morador idoso.
Moramos em unidades que preservam nossa intimidade, mesmo quando compartilhadas com outros familiares. Mas também há espaços que as conectam com áreas coletivas e públicas, vizinhança no bairro, que também caracterizam nossa moradia através do pertencimento a comunidades que garantem familiaridade. A cidade é a grande área onde a vida transcorre nos deslocamentos para cuidados, lazeres e novas experiências e, portanto, é igualmente moradia, em outra escala. Como analisar os impactos desse ambiente construído?
Gerontologia Ambiental
É o campo dedicado a compreender esses impactos ao longo do envelhecimento, visto que o ambiente oferece espaços para o desenvolvimento de atividades que vão desde as que condicionam mente e corpo, quer no lazer ou no trabalho, até as que garantem a sobrevivência através da alimentação, da higiene e do repouso. Desejos e necessidades variam de acordo com cada indivíduo e, portanto, avaliações centradas na pessoa exigem um conhecimento interdisciplinar que o gerontólogo é capaz de fazer a partir da observação dos modos de vida individual e coletiva da pessoa a quem se desenvolve um plano de gestão do seu envelhecimento.
Esse plano pode atender um indivíduo, um grupo ou a sociedade, através de políticas públicas que ofereçam soluções para demandas relacionadas com o envelhecimento da população. Medidas que destaquem questões relativas a necessidades de pessoas idosas estão, a cada dia mais, sendo elaboradas por equipes multidisciplinares, com a integração através de gerontólogos. Desse modo, é possível alcançar os melhores resultados para atender novas necessidades que surgem em decorrência da longevidade crescente versus a queda da natalidade.
Espaços da intimidade
A privacidade do ambiente domiciliar traz o conforto de estar à vontade com os objetos e lembranças do morador, mas nem sempre apresenta segurança para impedir acidentes domésticos com consequências físicas e emocionais que podem ser graves. Há pequenas armadilhas que nem sempre são percebidas como perigosas, tais como fios atravessados ou tacos soltos, milimétricos obstáculos que podem causar quedas. Armários altos e difíceis de alcançar, ou portas altas que podem ser esquecidas abertas e criar impactos dolorosos. Tapetes soltos? Um problema fácil de resolver: reorganizar a composição e prender para que não escorregue ou enrole, não precisa tirar.
O gerontólogo é preparado para observar esses detalhes quando atende em domicílio, também acrescentando o cuidado com calçados inadequados, efeitos colaterais de medicamentos que causem tonturas e a recomendação de apoios proporcionais em móveis estáveis, barras de apoio no banheiro e bases antiderrapantes em tapetes, evitando cantos agudos, excesso de objetos no caminho e espaços apertados entre os móveis. Assim, não bastam medições de temperatura e pressão, pois outros elementos podem causar desconforto e são de fácil ajuste para garantia da segurança.
Espaços entre o privado e o público
Sair de casa pode dar a impressão de deixar a proteção de ambientes controlados para colocar-se em risco a partir da porta principal, mas há um percurso entre ela e a rua que pode oferecer grandes oportunidades de interação com vizinhos. Observar rotinas e a possibilidade de estímulos para os encontros eventuais também faz parte de uma avaliação que envolve a participação na comunidade do entorno e na manutenção de vínculos. O suporte comunitário se estabelece a partir da presença frequente nos ambientes coletivos, ampliando a possibilidade de grupos solidários. Essa igualmente é uma observação importante para estabelecer qualidade de vida do morador idoso, a partir da tranquilidade de saber que ele tem com quem contar.
Estudos relativos aos direitos da pessoa idosa, a políticas públicas de proteção e de serviços de atenção complementares fazem parte importante da formação do profissional gerontólogo. Também a aplicação dos fundamentos da psicologia quanto às relações familiares, às emoções que se alternam com as mudanças de vida e às transições nas diversas fases o envelhecimento, permitem avaliar como cada indivíduo vê-se no mundo, fazendo parte das decisões que possam favorecer a evolução de uma velhice ativa e saudável. Quanto à saúde do corpo, compreender como é possível prevenir situações negativas possíveis de contornar é outro atributo da avaliação feita para garantir bem-estar.
Soluções para uma moradia segura e confortável
Enquanto o gerontólogo é capaz de observar todos esses elementos apontados, outros profissionais respondem para oferecer soluções práticas que atendam às necessidades das pessoas idosas. Portanto, como um integrador de disciplinas, cruza as observações e busca respostas com os profissionais de cada área afetada, de modo a ajustar hábitos e modos de vida. Para ambientes onde móveis, equipamentos e revestimentos oferecem algum perigo, o profissional arquiteto, em especial se estiver atualizado com questões gerontológicas, oferecerá soluções para adequar os espaços e minimizar riscos de quedas e outros acidentes evitáveis. Portanto, a interdisciplinaridade dessa formação é importante para oferecer uma abordagem profunda quando se deseja um envelhecimento saudável.
Parabéns aos gerontólogos, a cada dia mais necessários para que o ciclo de vida seja ativo e saudável!


