Espaços de passagem oferecem riscos a idosos com mobilidade ou visão reduzida?

Corredores e escadas são espaços de passagem e, portanto, de permanência transitória. Pode parecer que, por serem pouco percebidos como lugares significativos, sejam inofensivos a pequenos acidentes, mesmo considerando que escadas são vistas como barreiras arquitetônicas. Nesse caso, sempre é lembrada a dificuldade na transposição, mas tropeços ou escorregões por materiais inadequados, corrimãos desproporcionais ou medidas erradas acabam por passar despercebidos, até que haja efetivo envolvimento em incidentes perigosos.

Começando pelos corredores, é preciso lembrar que, geralmente, a iluminação é somente artificial e nem sempre apropriada. Dependendo da extensão, mais de uma luminária é necessária, para que não haja sombras, o que também pode ser melhorado quando a opção for por arandelas, as luminárias de parede. Outro aspecto é o uso de passadeiras, que devem ficar assentadas sobre materiais que impeçam seu movimento e evitem escorregamentos. Em situações onde haja moradores com demência, seria interessante criar elementos que ajudem a identificar os ambientes a partir das portas, especialmente banheiros, facilitando a orientação. O uso de sensores de presença pode garantir que a luz seja acionada automaticamente, aumentando a segurança e o conforto.

As escadas são elementos arquitetônicos que podem ser explorados visualmente, quer por sua estrutura, pelo material ou por formas no corrimão. Em função dessas possibilidades, algumas vezes o foco na estética acaba por comprometer a função, o que pode prejudicar seu uso. O corrimão deve ter entre 3,5cm a 5cm de diâmetro para empunhadura correta, além da altura recomendada pela norma de acessibilidade, entre 80 cm e 92 cm em relação ao piso. Os degraus seguem a proporção recomendada por Blondel, um diplomata, matemático, professor, engenheiro civil e arquiteto militar, nascido em 1618 em Paris. Ele estabeleceu uma fórmula empírica que permite calcular a largura do piso (p=mínimo 25cm) em função da altura do espelho (h=entre 16,5cm a 18cm), sendo 2h + p = 64 cm. Portanto, uma escada não pode ser somente bonita, deve antes de tudo ser proporcional, para que o esforço de subida e descida seja mínimo possível.

Por último, em ambas as situações de passagem, a escolha do piso é um item importante, tanto considerando o desgaste por serem ambientes de alto tráfego, como pela característica de antiderrapância que possa oferecer. Encontramos materiais mais lisos ou rugosos, e os tamanhos também interferem na quantidade de rejuntes necessários. Estampas contrastantes podem confundir, sendo importante caracterizar claramente a mudança de nível. Escolhas cuidadosas e que atentem para esses aspectos podem contribuir para aumentar o conforto e a segurança nesses ambientes tão esquecidos de nossas casas.

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