Pessoas que cuidam de parentes idosos em casa conseguem perceber o seu próprio envelhecimento?

Já comentei anteriormente sobre as questões que envolvem a formação dos gerontólogos, profissionais que atuam na gestão do envelhecimento, sendo que a velhice é uma fase e, portanto, todo o ciclo de vida é considerado. Basicamente, diz-se que o envelhecimento é um processo que começa ainda na fase intrauterina, pois há uma formação mínima que permite a vida em ligação direta com a mãe e que em geral acontece ao redor de nove meses de gestação. A infância e a juventude ainda são fases de formação, definindo características físicas e de personalidade, já com influência do meio e dos recursos que estiverem acessíveis. Aos 24 anos termina esse processo e chega o momento de auge no amadurecimento, quando a curva que caracteriza esse ponto se inverte. Portanto, começamos a degradar fisicamente aos 25 anos aproximadamente, embora isso seja mais perceptível aos 40, mais ainda aos 50 e muito mais a partir do 60!

Essa descrição simplificada informa somente que somos organismos com curvas características de maturidade, embora haja diferenças estabelecidas por hábitos de vida mais ou menos saudáveis, a depender das opções que fazemos. Atividade física é importante não somente para o corpo, mas para a mente, como já dizia o poeta romano Juvenal em “mens sana in corpore sano”. Alimentação saudável pode reduzir o risco de doenças, assim como hábitos sem vícios podem melhorar a qualidade de vida. O envelhecimento é heterogêneo e irreversível e, por mais que surjam procedimentos e produtos que prometam estender a juventude, nosso tempo de vida é finito. Então fica a pergunta: por que se percebe que muitas pessoas enxergam a velhice somente no outro?

Entender que a idade vai exigindo novo timing e que as restrições serão proporcionais aos esforços feitos em prol do próprio bem-estar é um modo de entendermos porque nossa casa muda, também. E quando há o cuidado de idosos nessas casas, muitas vezes se vê as intervenções como consequência dessa situação. O motivo deste texto é justamente este, sermos capazes de refletir sobre como percebemos nosso próprio espaço de morar ao longo do envelhecimento. Se partirmos do princípio que um casal só tem um modo de morar, que se altera quando chegam filhos, e que se altera quando os filhos são adolescentes, já percebemos que volta à situação inicial quando eles saem de casa e volta a se alterar quando aparecem os netos, em especial quando frequentam essa moradia. Mas não é somente a dinâmica familiar que muda, mudamos com nosso envelhecimento, que traz novas necessidades e desejos, sem falar das manias que se estabelecem com o tempo.

Essa volta ao núcleo familiar pode parecer que voltamos ao começo, mas na verdade estamos no meio do caminho. Perceber o próprio envelhecimento nem sempre é fácil e claro, mas pode nos fazer entender porque mudamos nosso modo de morar ao longo da vida e porque vemos os idosos que cuidamos como se estivessem muito distantes de nós.

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