Qual a potência das trocas intergeracionais quando há oportunidades de convivência produtiva?

Encontramos no Brasil muitas instituições de longa permanência para idosos, mas geralmente seguindo ainda uma tipologia hospitalar e com regras que definem um controle dos indivíduos para que seja possível a convivência sistematizada. Ocorre que não há uma definição clara do perfil de idosos aceitos e, evidentemente, o envelhecimento evolui e pode aumentar algumas perdas. De qualquer modo, percebe-se que há poucos estímulos para a presença de crianças e adolescentes, o que acaba por agravar ainda mais os preconceitos e manter as atitudes de distanciamento desta fase que, certamente, a maioria de nós chegará.

Quando levanto a questão de faltarem projetos inovadores para as moradias destinadas a idosos, falo mais da questão programática do que da distribuição e das dimensões. Está sendo veiculado pelas redes sociais um vídeo que apresenta um residencial de Seattle onde há compartilhamento de alguns espaços coletivos com uma creche, que funciona no mesmo edifício mas mantém alguns acessos controlados para que se definam os melhores momentos de convivência. São demonstrados momentos de simples visita, outros de lanches coletivos e, até mesmo, jogos compartilhados, pois são crianças de 3 a 5 anos e a interação é espontânea. Permite a liberdade de escolha sobre participar ou não dos encontros, podendo ser somente uma observação à distância, em momentos de contemplação.

Sabe-se que na Holanda há políticas públicas que propiciam ensino fundamental gratuito de qualidade, assim como alternativas de moradia aos idosos. Além disso, ambas as fases podem conviver no mesmo espaço urbano, pois onde há um equipamento de escola haverá uma moradia assistida, seja ao lado ou do outro lado da rua. Isso permite a interação mais próxima ou não, e garante que ambos convivam com as vantagens e as limitações de cada idade, sem isolamentos. Outros países estimulam a construção de moradias para idosos com área de solário e jardim integrada a escolas de ensino fundamental, para que os momentos de recreio ou de atividades ao ar livre possam ser convidativos para a integração de gerações.

Por que ainda pensamos as moradias para idosos isoladas entre muros, assim como as escolas de ensino fundamental? Ambas exigem atenção, sistemas de funcionamento e controle de segurança, mas não há qualquer proposta que estimule a aproximação de ambas, até com a possibilidade de absorver a mão de obra mais madura como orientadores em bibliotecas, cantinas ou atividades de recreio. O potencial de utilização das habilidades de algumas pessoas poderia ser um meio de racionalizar recursos, garantir presença e oferecer experiências potentes entre gerações, basta que possamos abrir os olhos para soluções inovadoras viáveis e sustentáveis.

2 comments on “Qual a potência das trocas intergeracionais quando há oportunidades de convivência produtiva?

  1. SE ALGUÉM CONSEGUIR REALIZAR NO BRASIL, UM EMPREENDIMENTO COM ESSE PERFIL PROPOSTO, SERÁ REALMENTE UMA (RE)EVOLUÇÃO MUITO GRANDE, PRINCIPALMENTE NA QUESTÃO DA MELHORIA DO AMBIENTE ONDE VIVEM, E NA CONVIVÊNCIA ENTRE MADUROS E CRIANÇAS (OU ATÉ JOVENS) .

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    • Ary, de fato já não é sem tempo que precisamos rever o que hoje chamamos de “casa de repouso, clínica geriátrica, asilo, ILPI”… Enquanto o conceito for esse, teremos muros entre idosos moradores de residências coletivas e o resto do dia-a-dia na cidade. Os poucos exemplares um pouco diferentes são muito caros, até porque funcionam sem a utilização de recursos que poderiam tornar tudo mais acessível, especialmente com trocas intergeracionais potentes e produtivas. Vamos em frente, ainda estarei viva para ver boas soluções inovadoras! Abraços, obrigada pela participação…

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