Por que ainda existe resistência aos residenciais de idosos quando pode ser uma forma de evitar a solidão?

A solidão dos idosos tem sido tema de muitos estudos acadêmicos, mas tomou uma proporção que o levou aos debates políticos. E já não era sem tempo… com o aumento da longevidade esta circunstância se agrava, pois exige que se pense em soluções que amenizem o peso na saúde pública e que situações extremas sejam evitadas, sem estruturas adequadas para uma velhice com dignidade. Na Europa, onde cidades com estruturas muito antigas colocam seus idosos em moradias que não oferecem condição de mobilidade adequada, este é um fator em alta nessas discussões e exige novos modelos de atendimento aos idosos.

O psicólogo espanhol Javier Yanguas, em entrevista ao Canal Amigos de Los Mayores e reproduzida pelo Portal do Envelhecimento, abordou questões significativas sobre o tema (https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/a-solidao-tornou-se-moda-entrou-na-agenda-social-e-politica/):

Já sabíamos nos anos 80 e 90 que um bom funcionamento social gera saúde. Numerosos estudos indicam isso. Por exemplo, o estudo longitudinal de Harvard, iniciado nos anos 30 do século passado, estabeleceu, sem dúvida, a contribuição das relações sociais para uma velhice sem deficiência e o fato de que a solidão “mata”. 

As mudanças nos modos de vida e convivência, especialmente afetadas pela velocidade da informação que o uso de dados móveis permitiu, estabeleceu uma individualidade que resultou no enfraquecimento das comunidades, o que hoje tem sido visto como um caminho para resgatar o apoio necessário para manter os idosos o máximo de tempo possível em suas próprias casas.

O que eu acredito é que a solidão deve ser abordada próxima às pessoas, de perto, desde o cotidiano, levando em consideração as diferenças e idiossincrasias de cada ser humano e de sua comunidade. Para mim, existem três questões principais: conscientização do público, construção de redes comunitárias de apoio e cuidado e capacitação de pessoas para enfrentar a solidão. 

Em Lisboa, tenho percebido o interesse dos profissionais em oferecer um acolhimento sobretudo humanizado aos idosos que se mudam para os residenciais. O que antes era conhecido como “lar de idosos”, no Brasil chamado de “asilo”, hoje são estruturas que contam com equipes profissionais preocupadas com a constante revisão das atividades a serem oferecidas, de modo a que estimulem seus residentes a sentirem-se pertencentes ao lugar.

Terapias em salas sensoriais, assim como a proximidade com crianças para as quais possam dedicar atenção e carinho, são algumas das estratégias adotadas e que, é flagrante, há uma mudança de perspectiva sobre essa abordagem. Sentir saudade da própria casa é compreensível, mas perceber que a mudança traz outras possibilidades depende sempre do quanto os gestores são flexíveis para ter olhos e ouvidos na atenção aos seus moradores.

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