Quais podem ser os indícios de que um idoso sofre violência na própria moradia?

Normalmente considera-se que uma pessoa idosa está protegida na sua própria casa, especialmente quando mora com familiares. Também poderia ser recorrente a ideia de que a mudança para a casa de filhos resolveria o risco de solidão, pois a presença de outras pessoas sugere que há alegria, comunicação e entretenimento. Em muitos casos pode ser assim, mas em outros a intimidade do lar esconde situações nada recomendáveis, condenando todos os moradores a convivências difíceis, sendo até violentas com os que acabam submetidos a constrangimentos, geralmente o morador idoso.

Nesta semana de 27 de setembro a 1º de outubro, tivemos a I Semana do Idoso da Casa Ondina Lobo, com palestrantes que trouxeram informações relevantes sobre diversos aspectos de bem-estar. A assistente social e professora Dra. Marília Berzins tratou de violência contra a pessoa idosa, um tema duro e difícil, mas que provoca muitas reflexões importantes que impactam nas decisões de onde morar na velhice, assunto que em geral só é abordado quando a mudança é absolutamente necessária. Foram apresentados os tipos de violência: física, patrimonial e psicológica, sendo que a primeira normalmente é impingida por pessoas cuja natureza já apresenta um caráter discutível. A patrimonial decorre de relações de dependência financeira geralmente concedidas, que podem ser detectadas pela observação daqueles que efetivamente desejam o bem-estar ao parente idoso. E a psicológica, que pode ser subliminar e silenciosa até para pessoas próximas, a partir de ameaças, mesmo veladas, de exercer o poder de comandar a vida do idoso submetido. 

A violência psicológica pode evoluir a partir de uma ação bem-intencionada: para que o morador idoso não fique só, ele recebe a família para morar com ele ou muda para onde lhe é prometido um espaço de vida seguro e acompanhado. Se houver impactos no conforto dos outros, o incômodo pode evoluir até para a emissão clara de contrariedade e o alijamento para ambientes menos nobres, tornando a convivência insuportável e havendo cobranças de ordem pessoal. Mesmo quando há cuidadores profissionais, se o responsável familiar não demonstrar respeito e dignidade no cuidado, situações fora do controle podem colocar o idoso numa situação de inferioridade nas decisões e escolhas.

Outro aspecto é a limitação de ações que acabam impostas em nome da restrição do território pessoal, retirando o protagonismo e levando até à infantilização no tratamento, justificada como forma de carinho que, ao fim e ao cabo, torna a relação desigual e dependente. Tal situação pode acontecer no âmbito institucional e é sutil, o que exige o treinamento dos colaboradores para que compreendam o direito dos moradores em manifestar seus desejos e necessidades, mesmo quando há perdas cognitivas e algumas estratégias precisam ser adotadas para evitar confrontos. Regras de convivência são necessárias em quaisquer ambientes dos grupos sociais, dos familiares aos institucionalizados, para que haja reconhecimento da importância dos papéis que todos exercem na sociedade.

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