Quais elementos são imprescindíveis para que as experiências na cidade sejam positivas para pessoas idosas?

Ao longo da vida, habitamos um território que parte da unidade habitacional e alcança um raio muito maior, compreendendo áreas da cidade na qual nos sentimos pertencentes. Seja por questões profissionais, familiares, culturais ou por simples deleite, caminhar pela cidade exige ampla atenção para que o objetivo seja alcançado de modo produtivo e prazeroso, especialmente na velhice. Pela Gerontologia Ambiental é possível compreender a importância de estudar questões relativas à necessária produção de subjetividades nos encontros possíveis pelos trajetos na cidade.

O cidadão idoso, mesmo ativo, tende a declínios que se aceleram com o avanço da idade, o que pode inibir seu desejo pela vivência no espaço urbano. Trajetos longos podem ser bem aproveitados se o percurso for enriquecido por sombreamento, calçadas planas e bem demarcadas, mobiliário urbano que permita momentos de repouso e sinalização que o mantenha orientado e seguro. A escala da cidade, principalmente na região central onde a dinâmica envolve mais movimento de pessoas e veículos, determina que travessias de grandes avenidas sejam definidas por sistemas seguros, a começar pelo tempo necessário para tal, a partir de dificuldades tais como perda de mobilidade e de outras percepções, como a acuidade visual e a auditiva. 

desejo de vivenciar a cidade, com todas as suas barreiras e seus atrativos, é sempre um estímulo importante para vencer o declínio percebido e que avança lentamente, mas que, em geral, será definitivo. Superar a insegurança que se apresenta de todas as formas: calçadas ruins, travessias difíceis e até atentados contra o patrimônio, são temores que assolam pessoas que se sentem mais frágeis e vulneráveis, tornando-se barreiras. Porém, saber que encontrará pessoas, novas perspectivas no espaço urbano e a possibilidade de novas experiências de aprendizado, estimula para que os obstáculos sejam superados.

Através de avanços nos estudos em Gerontologia Ambiental desenvolvem-se novas perspectivas sobre os atributos da cidade que equilibram a escala, o tempo e o desejo de pessoas idosas nos percursos urbanos. A percepção de pertencer a uma comunidade complexa e desafiar-se a novas perspectivas visuais e experiências sensoriais é o que impulsiona o cidadão a buscar interações sociais positivas. O aumento da população idosa decorre de mais tempo de vida, visto que a longevidade é um fenômeno mundial, o que aumenta a presença dos velhos na cidade e, portanto, mais estudos interdisciplinares continuarão a ser desenvolvidos. 

Os elementos imprescindíveis para que as experiências na cidade sejam positivas para pessoas idosas são a escala, o tempo e o desejo. Ruídos do trânsito intenso são um parâmetro importante para perceber com mais atenção quando prevalecem os sons da natureza, assim como dias nublados e sombrios são referência para que se destaquem as cores e brilhos nos dias de sol. A velhice não impede que as pessoas vivenciem os espaços urbanos, ambientes ricos em novidades e elementos tanto visuais quanto sonoros.

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