Morar com dignidade é o desejo de qualquer pessoa que se sente pertencente a uma comunidade, sejam familiares, amigos ou vizinhos. Representa o lugar da intimidade, do descanso e da proteção, sendo abrigo do corpo e da alma. Muitos planejam seus orçamentos para encontrar conforto e segurança, mas alguns vivem no limite para mudanças nem sempre proporcionais às suas necessidades de vida diária, o que determina que adotem soluções precárias por estarem desamparados pelo poder público. Fala-se aqui da população de baixa renda e idosa, muitas vezes sem suporte familiar e com a funcionalidade comprometida até por falta de boas condições de higiene e alimentação.
Há políticas públicas de habitação propostas e colocadas em prática por governos estaduais e municipais, atendendo pessoas idosas com rendimentos na faixa de 1 a 3 salários mínimos, de acordo com o levantamento da ativista Inês Rioto (https://www.morar60mais.com.br/políticas-públicas). Constam basicamente as soluções do Programa Vila Dignidade, posteriormente renomeado para Vida Longa, de São Paulo, o Cidade Madura, do governo do estado da Paraíba, e o Programa Viver Mais, no Paraná. Além desses, iniciativas municipais oferecem algumas soluções que, mesmo sendo importantes, ainda não suprem a demanda crescente por soluções de moradia. Todos consideram um aluguel simbólico e a possibilidade de morar até quando não necessitar de cuidados, quando a solução atualmente são as Instituições de Longa Permanência para Idosos, também com escassez de vagas.
Os Centros de Acolhida Especiais para Idosos em São Paulo recebem pessoas em regime temporário, porém a falta de alternativas estende a permanência por muito mais tempo e dificulta o abrigamento de novos casos. De acordo com a Sra. Olga Quiroga, que luta por moradia digna para pessoas idosas há mais de duas décadas na cidade de São Paulo, o declínio de mobilidade de idosos que moram em apartamentos em edifícios sem elevador os obriga a situações de constrangimento que levam à decisão de vender o imóvel, sendo que o valor recebido não é suficiente para outra aquisição e terminam por tornarem-se cidadãos sem teto. Outros casos são relacionados ao custo de manutenção de edificações muito antigas, desenvolvendo situações improvisadas que levam a riscos de acidentes muito graves, contexto que progride para a falta de habitabilidade e o agravamento das más condições de saúde.
Faltam políticas públicas de habitação quando são consideradas as pessoas idosas em situação de rua, ou seja: quando a falta de dignidade na moradia exige uma providência, seja por maus tratos ou por constrangimentos relacionados a más condições do ambiente físico, urgem soluções para amenizar a situação. Por mais que a assistência social busque condições aceitáveis para remediar situações de perda, as poucas alternativas não dão conta de resolver a crescente demanda, aumentando a população que vive em ocupações ou na rua. É preciso discutir e providenciar para que haja alternativas em processos mais céleres, que garantam a dignidade da pessoa idosa de baixa renda.

