Morar com conforto e segurança implica em menor atividade física e cognitiva?

O aumento da longevidade é um fenômeno mundial, mas com ele é perceptível o maior número de casos dos diversos tipos de demência. As soluções adotadas para proteger pessoas idosas demenciadas estão muito relacionadas às condições ambientais, mas pouco se fala sobre a prevenção, considerando a moradia como cenário para evitar ou impedir o avanço dessas doenças. Os gerontólogos Thais Bento, Cássia Elisa e Tiago Ordonez publicaram dados relacionados aos fatores de risco que determinam as perdas cognitivas que resultam em demências, fenômeno percebido com o aumento da longevidade (https://metodosupera-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/metodosupera.com.br/fatores-de-risco-para-demencia-por-regioes-brasileiras/amp/). 

… os achados documentaram que os fatores de risco no início da vida (educação), meia-idade (hipertensão, obesidade, perda auditiva, lesão cerebral traumática e consumo excessivo de álcool) e mais tarde da vida (tabagismo, depressão, sedentarismo, isolamento social, diabetes e exposição à poluição do ar) podem contribuir para o aumento do risco de demência.

O artigo aponta a importância da escolaridade mais extensa para garantir uma reserva cognitiva maior, já que “o acesso à educação possibilitaria a independência e autonomia do maior número de pessoas idosas”. Continuar estudando ao longo da vida, especialmente quando há mais tempo livre e experiências acumuladas, exige uma boa condição ambiental, seja no controle de ruídos, temperatura e iluminação. Ao contrário do que se poderia concluir, uma moradia confortável não sugere a permanência inativa, assim como deixa-la segura aumenta o incentivo a buscar o exercício físico monitorado através de aulas online. Porém, até mesmo a manutenção regular dos ambientes possibilita movimentos para alongar braços e pernas, assim como as rotinas garantem o exercício cognitivo. A interação social, com a família, amigos e vizinhos, certamente é outro fator imprescindível para garantir bem-estar e uma longevidade saudável.

Logo, com os cuidados adequados, mudanças no estilo de vida, treinamento profissional para identificar as demências e diagnosticá-las de forma precoce, poder-se-á ter um adiamento e diminuição das síndromes demenciais.

Morar com conforto e segurança pode possibilitar atividade física e cognitiva suficiente para retardar o processo de perdas, visto que a prevenção de acidentes deixa mais tranquilos os moradores, familiares e possíveis cuidadores. As barras de apoio podem auxiliar na limpeza do banheiro, assim como móveis com rodízios permitem o movimento sem esforços desnecessários. Janelas devem sempre ser mantidas com os componentes renovados, para abertura e fechamento facilitados. Móveis desnecessários atrapalham a circulação e impedem novos arranjos, e sua permanência deve somente depender do significado que tenham para memórias afetivas. Enfim, é preciso ver a moradia não somente como abrigo, mas como lugar de viver de modo ativo e saudável.

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