Há um certo temor quanto à perspectiva de máquinas serem suficientes para solucionar muitas demandas que justificam a formação profissional, criando cenários em que o ser humano seria subjugado por elas, tal como imaginado por Aldous Huxley em “O Admirável Mundo Novo” (1931). A partir disso, o que é oferecido como meio de racionalizar a manutenção da moradia e outras atividades diárias, passa igualmente pela desconfiança de que máquinas inteligentes podem substituir as pessoas. O engenheiro em saúde digital Guilherme Hummel apresenta o impacto das novas tecnologias no mundo do trabalho, demonstrando que as vagas “perdidas” serão substituídas por outras, basta que haja atenção para aperfeiçoar as habilidades para resolver problemas https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2023/05/5095289-artigo-maquinas-nao-roubarao-empregos-a-nostalgia-sim.html).
Muitos trabalhadores, empregados ou não, passaram a duvidar do futuro. Outros vão além: se desinteressam pelo presente e, desanimados com as máquinas inteligentes que rompem o mercado de trabalho, estimulam uma vida hedonista, cujo prazer circunstancial procrastina enfrentar os desafios. Mas o pior são os nostálgicos, eles não tiram os olhos e a mente do passado e anseiam pelos tempos pretéritos no qual tudo era mais estável, previsível e menos desafiador. Aliás, o termo nostalgia vem do grego nostos, que significa retorno, e algos, que significa sofrimento. A palavra originalmente foi usada para descrever um anseio intenso por retornar ao lar, a um lugar seguro, confiável e confortável em todos os sentidos.
Esse “retorno ao lar” nada mais é do que garantir o controle sobre seu território, o que determina a certeza de “ser dono do próprio nariz”. Competir com a tecnologia, tentando provar que pode fazer melhor, talvez desgaste a própria confiança e culmine na frustração de sentir-se desatualizado, incapaz e inábil. Evitar o uso do smartphone, manter equipamentos ineficientes e móveis inúteis em casa podem condicionar o morador a manter-se como está durante seu envelhecimento, mas refletir sobre as mudanças necessárias ao longo da vida pode levar à conclusão de que estar aberto a novas tecnologias pode trazer recompensas positivas. Hummel completa:
Ao invés da nostalgia de tempos irrepetíveis, empregados devem se concentrar em suas habilidades atuais, identificando as áreas de aprimoramento. Autoavaliação para descobrir quais pontos são mais suscetíveis à automação ou a transformação digital. Desenvolver o pensamento crítico e as habilidades interpessoais devem ser prioridade. É preciso engajamento nos skills digitais que suportem a dianteira, deslizando o pensamento para futuros possíveis, plausíveis e preferíveis. Se esconder da realidade não é a saída. Perde-se muito tempo e atrasa o maravilhoso encontro com a possibilidade.
Considerar a tecnologia como uma oportunidade pode possibilitar mais conforto, segurança e prazer. Máquinas dependem das pessoas, é preciso estar aberto ao novo para um futuro pleno.

