Sempre que se colocam as necessidades de moradia para a população idosa cada vez mais longeva, são encontradas soluções variadas e bem-sucedidas. Porém, a maioria delas não está implantada no Brasil, prevalecendo moradias institucionais e condomínios sênior. As instituições de longa permanência para idosos, ILPIs, são oferecidas desde as filantrópicas tradicionais, passando pelas públicas em número insuficiente até as mais sofisticadas, atendendo parte da clientela com maior poder aquisitivo, representando pouco mais de 3% da população brasileira. Portanto, fica evidente que pessoas idosas ativas têm a permanência em sua residência original como única opção até o momento em que houver a necessidade de mais cuidados.
Um modelo que já se consagrou em vários países e que ainda não existe no Brasil, embora já existam iniciativas em tratativas iniciais, é o cohousing sênior. De acordo com a arquiteta e pesquisadora Rosangela Rachid, essa solução apresenta diversas vantagens para aqueles que estejam dispostos a compartilhar, não apenas espaços, mas também e, principalmente, cuidados (https://blogs.correiobraziliense.com.br/coletivo-filhas-da-mae/2023/10/09/onde-vamos-morar-nos-proximos-anos/).
Um assunto que tem se mostrado bastante frequente é sobre onde morar quando envelhecer. Motivado pelo acelerado crescimento da população idosa e associado aos novos arranjos familiares, o planejamento vem se apresentando necessário para garantir uma fase mais prazerosa, com qualidade de vida e bem-estar.
A longevidade crescente tem apresentado uma mudança significativa na vitalidade dessas pessoas. Nonagenários ativos e desenvolvendo projetos com ótima funcionalidade, além de centenários protagonistas de suas próprias vidas. Um cohousing é composto por unidades habitacionais independentes, mantendo a privacidade. Porém, há uma casa comum para atividades compartilhadas, o que caracteriza uma comunidade intencional onde todos participam e cumprem papéis definidos para o bem de todos.
São modelos de moradias que favorecem os benefícios sociais. Além disso, são reconhecidos por órgãos globais como o Fórum Econômico Mundial (2020). (…) Esse modelo promove o cooperativismo, o pertencimento e a troca de experiências devido à sua formatação e organização.
O grupo de moradores deve ter a exata dimensão das vantagens para que a convivência seja harmônica, pois as decisões são sempre tomadas em conjunto.
Outra característica do Cohousing é a economia financeira promovida pelo compartilhamento de itens como carro, internet e colaboração nas tarefas. Sem contar que o poder de compra é bastante significativo quando a aquisição é realizada pelo grupo, aumentando o poder de negociação, gerando economia.
É, portanto, um modelo de moradia na velhice que pode satisfazer pessoas dispostas a compartilhar, estendendo a permanência em sua própria casa e mantendo o espírito de colaboração de uma comunidade intencional.

