Como garantir conforto na velhice, especialmente quando há a iminência da morte?

Falar sobre conforto remete a situações de bem-estar que acompanham todas as pessoas em todo o curso de vida. Porém, diferentes perspectivas devem ser abordadas de acordo com a fase em que estejam, pois mudam os fatores que oferecem a efetiva sensação de estarem confortáveis. Os impactos do clima, dos ruídos externos, da qualidade dos móveis e dos aromas percebidos, entre outros fatores, podem ser mais importantes de acordo com a idade, mas é na capacidade de tolerância que incide a verdadeira sensação de conforto, além da condição de saúde que pode mudar ao longo do tempo. Se para pessoas idosas esses fatores são ainda mais importantes, a perspectiva de fim de vida torna ainda mais sensível a percepção de que alguns aspectos ambientais podem ser coadjuvantes importantes para amenizar a angústia da dor e da fragilidade. Uma pesquisa com ferramentas de realidade virtual demonstrou que os cuidados paliativos, “… uma especialidade interdisciplinar que tem como objetivo aliviar os sintomas das pessoas que enfrentam doenças graves e potencialmente fatais…”, podem ser ampliados se houver a proposição de experiências imersivas que tragam algum prazer (https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2024/02/01/realidade-virtual-como-aliada-dos-cuidados-paliativos.ghtml).

Apesar da sua relevância – trata-se de um direito humano básico – a Organização Mundial da Saúde estima que apenas 14% dos quase 57 milhões de indivíduos que necessitam anualmente desse suporte o recebem. Como os pacientes passam por inúmeras situações de estresse, intervenções psicológicas que visem ao seu bem-estar mental desempenham um papel de destaque.

Na pesquisa, o grupo de 128 pessoas foi dividido para que houvesse a comparação dos efeitos da experiência individual na qualidade de vida dos participantes, oferecendo situações prazerosas aos que utilizaram o equipamento de realidade virtual.

Entre novembro de 2022 e setembro de 2023, 128 pessoas com câncer em estágio terminal tornaram-se voluntários do ensaio clínico. Metade foi submetida à imersão na RV, enquanto os demais ficaram com a abordagem terapêutica tradicional. Foram exibidos oito vídeos capazes de proporcionar sentimentos de alegria e tranquilidade, e até como uma forma de realizar um desejo de fim de vida como, por exemplo, ver as cerejeiras em flor num jardim japonês.

O resultado foi significativo, demonstrando que até no final da vida as pessoas buscam realizar desejos e planos que lhes tragam prazer, dos mais sutis aos mais complexos. A tecnologia pode realizar esses desejos, mas o ambiente construído pode oferecer, também, condições para que experiências concretas aconteçam, desde o mobiliário que dá suporte à presença de pessoas e objetos queridos, até imagens que atendam ao resgate de reminiscências ou, até mesmo, ao cumprimento de antigos sonhos. É possível garantir o conforto no final da vida, ao observar o que de fato oferece prazer e bem-estar. 

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