As mudanças climáticas exigem projetos adequados e sustentáveis nesse contexto?

Quando refletimos sobre alternativas de moradia para pessoas idosas, necessariamente será importante pensa-las adequadas à atual circunstância do aquecimento global. Mesmo não sendo um tema novo, a cada ano ficam mais evidentes os impactos decorrentes dessa situação, visto ser o clima um componente fundamental para o equilíbrio da saúde. Iniciativas que já consideravam a importância desse cuidado demonstram que é possível estabelecer empreendimentos sustentáveis. A jornalista Anita Chaudhuri entrevistou a arquiteta Anne Thorne, responsável pelo projeto de cohousing pensado nessa perspectiva, nos arredores de Colchester, Essex (https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2024/jan/30/we-just-held-hands-and-jumped-how-one-of-britains-happiest-healthiest-communes-was-built).

Cannock Mill é a primeira comunidade de cohousing do Reino Unido destinada a enfrentar a crise climática e a solidão na vida adulta. (…) Quando se trata de desenvolvimento de edifícios que consideram o clima, são os detalhes que fazem a diferença. 

Foram 13 anos e muito trabalho para finalmente o projeto ser materializado. O foco na sustentabilidade ambiental diferenciou a proposta, especialmente considerando o reuso da água de forma consciente.

Entramos no moinho listado como Grade II, que foi convertido em um centro social de três andares para os 30 proprietários, com idades entre 60 e 83 anos. O último andar, aberto até as vigas, serve como sala de estar comum, toda em madeira clara em estilo escandinavo e design direcional. 

A ideia surgiu em 2006 entre amigas que já enfrentavam situações delicadas com pais idosos. A experiência que envolve pessoas com idades ao redor de 50 anos leva a refletir sobre seu próprio futuro, pois obriga a tomar decisões que requerem mudanças de rotinas e até abandono de carreiras. Ao longo da concepção do projeto, muitos casais ainda tinham seus filhos morando com eles, o que já não acontecia quando ocuparam o novo empreendimento.

Na Escandinávia e nos Países Baixos, os terrenos são comprados pelo poder público para grupos de cohousing. Para além dos custos de construção existem as taxas e emolumentos para liberação do projeto. Portanto, o tempo dispendido envolveu, também, iniciativas para que o grupo alcançasse uma capacidade financeira adequada para a realização do empreendimento. A pandemia os alcançou três meses depois da mudança, o que determinou medidas para que a convivência pudesse continuar com segurança.

As paredes de cada casa têm 400mm de espessura e as janelas são de vidro triplo. Até as caixas de correio estão alojadas em armários especiais selados, para impedir a entrada de ar frio, enquanto cada casa está equipada com um sistema de recuperação de calor.

Novos empreendimentos necessariamente devem ser desenvolvidos a partir de projetos bem elaborados e por profissionais conscientes da sua responsabilidade social e ambiental.

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