Em que medida uma cidade bem planejada estimula pessoas idosas a usufruírem com segurança?

Embora não exista mundo ideal, há sempre como buscar melhores soluções para atender demandas em todas as esferas da vida. O planejamento de cidades depende de muitos fatores que definem resultados adequados e, certamente, não atenderá os desejos de todos os cidadãos. Sendo um processo dinâmico e em constante mudança, impõe muitos desafios aos gestores públicos, especialmente com o visível aumento da longevidade. O arquiteto Ciro Férrer discorre sobre a importância de medidas que ajustam as cidades para essa realidade no site Caos Planejado:

Residências afastadas de serviços essenciais, como comércios e unidades de saúde, agravam o isolamento social, especialmente em áreas urbanas com infraestrutura inadequada. Isso reforça a necessidade de um planejamento urbano que combate o espraiamento e incentiva a ocupação em áreas bem servidas de infraestrutura e com mistura de usos.

Características urbanas que qualificam os espaços públicos para que haja caminhabilidade garantem maior segurança, seja com a instalação de mobiliário urbano, com vegetação atraente para sombreamento, calçadas adequadas e travessias compatíveis. Pessoas idosas temem condições de infraestrutura em que não tenham certeza de utilizar de modo confortável, seja pelo declínio da mobilidade ou da capacidade visual e auditiva.

Calçadas mal conservadas e mobiliário urbano inadequado exacerbam as dificuldades de mobilidade e aumentam o risco de acidentes. Dados alarmantes apontam que quedas são a terceira principal causa de morte entre idosos no Brasil. (…) Em 2023, por exemplo, foram registradas 6.274 mortes de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, a maioria por atropelamentos, evidenciando a necessidade de ajustes no tempo semafórico e na qualidade da infraestrutura para pedestres.

Não bastam correções com regularização de pisos em parte dos percursos, sendo importante a continuidade nos trajetos. Também limpeza de praças e canteiros sem a colocação de bancos e luminárias eficientes. Há sempre a necessidade de um olhar voltado às pessoas com limitações funcionais para que se sintam seguras ao usufruir da moradia mais ampla que existe nos espaços públicos da malha urbana, permitindo a efetiva participação de todos os cidadãos.

Envelhecer em uma cidade requer mais do que soluções pontuais. É necessária uma gestão de planejamento urbano integrado que priorize socialização, mobilidade segura e bem-estar emocional.

O tecido urbano em todas as cidades está sempre em constante mudança, quer seja pela substituição de imóveis ou pela implantação de grandes estruturas públicas que alteram a dinâmica dos bairros, gerando gentrificação e novos usos. Para pessoas que assistem essas mudanças pela janela, nem sempre há acolhimento, tão necessário para uma velhice tranquila.

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