Temos alternativas de moradia na velhice?

Sou arquiteta e atuo no curso de Graduação em Gerontologia oferecido pela Universidade de São Paulo, no campus Leste da capital. Há alguns anos venho desenvolvendo interesse cada vez maior sobre o futuro dos brasileiros quanto às alternativas de morar bem na velhice. Estamos vivendo cada vez mais e melhor, e aumenta o número de idosos longevos que, mesmo com famílias próximas, necessitam de cuidados adequados para garantir conforto e segurança na fase de maior fragilidade. Como professora de disciplinas que analisam soluções de moradia e sua inserção na cidade, mais percebo o quanto o impacto do ambiente construído afeta nossa saúde física, mental e social.

Quais alternativas temos?

Familiares cuidadores, como era comum quando as mulheres ocupavam menos postos de trabalho, devem considerar o custo de contratar cuidadores profissionais visto que o abandono de carreiras promissoras pode significar frustração, desatualização e outras consequências físicas e emocionais comprometedoras do seu próprio envelhecimento. Porém, esses profissionais ainda são raros e, embora haja mais oportunidades de aprimoramento, há sempre o risco de depender de pessoas confiáveis no caráter e na efetividade.

As Instituições de Longa Permanência para Idosos, nome técnico atribuído aos antigos asilos, estão atualmente seguindo normas e mais humanizadas, mas continuam estigmatizadas e mantêm modelos a serem aprimorados. Nomes como “casa de repouso” e “residencial para idosos” têm sido usados para criar expectativas diferentes daquelas que lembram os asilos, mas ainda não oferecem o que de fato todos procuram: uma assistência proporcional às necessidades individuais, considerando a heterogeneidade da velhice.

Este blog pretende apresentar reflexões sobre como tomar esta decisão, considerando que há alternativas de moradia que podem atender tanto necessidades pessoais quanto condições de viabilidade econômica, além de modelos muito interessantes experimentados em outros países. Também é preciso lembrar que o entorno da moradia é importante para garantir a integração social e a independência do idoso, garantindo autonomia e bem-estar.

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