Você sabe o que é ambiência?

O termo ambiência é adotado quando associamos o espaço físico com as condições emocionais vividas nesse espaço. Ou seja: a geometria definida pelas três dimensões do ambiente e seu conteúdo com móveis e outros objetos sendo utilizado pelas pessoas, que dão vida e sentido ao espaço. De acordo com Marc Augé (Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. São Paulo: Papirus, 1994), o lugar existe quando representa uma referencia ao usuário, criando valores à sua história. Portanto, as decisões compositivas em volumes, texturas e cores representam a personalidade de quem as tomou, definindo efeitos de prazer e resultando em conforto.

Uma sistematização foi elaborada pela equipe do HumanizaSUS no Ministério da Saúde (Ambiência, 2 ed., 2010), apontando a adoção simultânea de três importantes eixos: o da confortabilidade, focado na privacidade e individualidade dos sujeitos envolvidos e que determina atenção não só com os objetos em si, mas com controle de ventilação, iluminação, temperatura e acústica. Sendo espaço de encontro desses sujeitos, o segundo eixo refere-se às melhores condições para que essas ações sejam positivas, possibilitadas pelo arranjo físico que estimule a convivência harmoniosa e a produção de subjetividades. O terceiro eixo refere-se à produtividade entre as relações que se encadeiam a partir daí, pelo espaço que favorece a otimização de recursos na facilitação dos processos de trabalho, além do atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo.

Uma ambiência positiva na moradia de idosos estimula sua autonomia, pois o conforto estabelecido pelos objetos adequados aos seus esforços permite que interaja positivamente com outros sujeitos. Além disso, manterá elementos memoráveis, o que garante vínculos com a própria história e permite a manutenção de rotinas que envolvem habilidades e talentos. O declínio na mobilidade e na acuidade visual/auditiva geralmente restringe as iniciativas proativas e, consequentemente, as oportunidades de encontro e socialização, agravando ainda mais o isolamento e a solidão na velhice. Em moradias unifamiliares ou coletivas devemos observar esses aspectos, de modo que a sensação de conforto e segurança não fique comprometida por mudanças, muitas vezes necessárias de acordo com as circunstâncias.

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