E quando vamos falar de flores?

Você pode estranhar um título querendo falar de flores, quando nosso tema de reflexão é a moradia na velhice. Mas quem de nós não busca preferências nas formas, cores e composições possíveis em vasos, canteiros ou jardins com flores e folhagens que remetam à sensação de liberdade que podem suscitar os vegetais? Há quem prefira cultivar, mesmo em pequenos vasos, folhas para temperos e chás, porque perfumam o ambiente e personalizam aquele espaço. Àqueles que vivem na semiescuridão, seja porque seus imóveis estão entre gigantes ou porque preferem a privacidade de cortinas fechadas, ainda resta a possibilidade de flores artificiais que, mesmo sem a beleza da mudança, ainda assim lembram a tendência do ser humano de conviver com a natureza.

Nossas cidades tendem a suprimir os canteiros floridos. Dificuldade de manutenção, excesso de poluição, vandalismo, descaso. Mas quando nos deparamos com algum espaço assim a surpresa é agradável, lá vamos nós imaginarmos como seria se tivéssemos belos jardins, a possibilidade de ver nascer, crescer e morrer lindas e perfumadas flores, tal como é nosso ciclo de vida, embora bem mais lento. A paisagem é composta por volumes justapostos e em diversas dimensões. Do canteiro com vegetação rasteira e calçadas até os grandes edifícios arranhando os céus, todos os elementos fazem parte desse grande jogo de montar que tem árvores com copas que surgem inteiramente floridas e, logo depois, forram o chão com cores. Aliás, um perigo iminente para aqueles que, inadvertidamente, passam distraídos e escorregam naquele material em decomposição. Essa mudança de formas e cores que acompanha as estações ilustra nossa próprias mudanças, e talvez aí resida a obsessão em termos plantas (em especial com flores…) dentro das nossas casas, em pequenos jardins-prisões, mas que instiga nossa olhar para que os pensamentos voem feito borboletas.

Morar com conforto, especialmente na velhice, envolve poder criar ambiências positivas e inspiradoras, pois teremos mais tempo livre e objetivos assim tornam a vida mais interessante. Há pessoas que preferem não conviver com animais, embora seja uma experiência gratificante. As plantas, especialmente as que florescem, são muito delicadas e exigem atenção, como limpeza e água na medida certa periodicamente. Moradias coletivas podem oferecer melhores oportunidades para experimentar um contato próximo com a natureza, pois geralmente oferecem áreas externas ajardinadas. Independente disso, que tenhamos sempre flores para nos ensinar que a vida é efêmera e pode ser colorida e perfumada, basta que estejamos acomodados com prazer, harmonia e segurança.

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