Você se sente culpado por institucionalizar seu parente idoso?

A escolha da melhor opção encontra empecilhos na busca por instituições de longa permanência para idosos, mas talvez a maior delas seja a dificuldade em superar o sentimento de culpa por tomar essa decisão. Somos latinos e de maioria cristã, tratamos assuntos de família de modo passional, como se a alternativa de encaminhar um familiar idoso para morar em uma residência coletiva especializada significasse abandono e, não, a busca do melhor cuidado em qualidade na atenção. Morar na própria casa nem sempre é possível, morar com familiares pode criar conflitos difíceis de conciliar…

No filme “A Família Savage” (EUA, 2007), dois irmãos que não viam o pai havia muitos anos são chamados pela filha da namorada dele que, recém falecida, já dependia de um cuidador e agora não mais havia motivo para mantê-lo naquele condomínio especializado. Começa a procura por uma instituição que pudessem pagar, mas a filha não consegue livrar-se da culpa que sente por vê-lo tão frágil e dependente. Em outro, no entanto, o conflito começa antes da decisão final: em “Parente É Serpente” (Itália, 1992), uma típica família italiana reúne-se no Natal na casa dos pais, um casal idoso cuja mãe já está cansada da rotina doméstica e o pai, aposentado há 20 anos, diariamente prepara-se para trabalhar. Durante a ceia vem o pedido da mãe, que pede aos filhos que decidam sobre a casa de qual deles o casal poderia morar. Reuniões e brigas marcam a dificuldade em decidirem, mas um grave acidente na noite de Reveillon define um final trágico que “resolve o problema”. Apesar do exagero no filme, esse é um pensamento que pode ser mais comum do que se imagina.

A manutenção de um idoso que necessita de cuidados especializados na própria casa é sempre preferível porque se mantêm presentes elementos da sua história. Talvez sejam imprescindíveis algumas pequenas reformas: avaliação dos pisos de banheiro e cozinha, colocação de barras de apoio e corrimãos, adequação de móveis em organização e ergonomia, reformulação na distribuição de utensílios de cozinha, uso da tecnologia para acionamento de sistemas de alerta e outras intervenções específicas. Com a casa segura os riscos diminuem, garantindo mais eficiência e efetividade aos cuidadores. Mas há custos envolvidos, o que torna a alternativa da institucionalização mais viável em muitos casos. Encontrar um “cantinho” em casa para receber um parente idoso exige a manutenção da privacidade de todos da família, a garantia de não desalojar um de seus membros e a certeza de que a sua presença é realmente desejada, pois não há como não perceber se houver descontentamento. Haverá sofrimento, certamente maior do que o encaminhamento para uma residência coletiva, onde o acolhimento, o cuidado e a privacidade são respeitadas, pois dedica-se a isso. Enfim, pesando prós e contras, especialmente os impactos emocionais, a culpa pode ser o menor deles…

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