Quanto custa manter em casa um idoso que necessita de cuidados?

A carência que temos de residenciais para idosos que se diferenciem dos antigos asilos geralmente faz pensar que uma clínica geriátrica especializada será sempre muito cara e fora do orçamento para a maioria das famílias brasileiras. E começa a jornada em busca de cuidadores, a cada dia mais treinados e sem o antigo estigma de empregados domésticos que “têm paciência com idosos”. Isso realmente não resolve o problema pois há os riscos de manejo inadequado, falta de controle na administração de medicamentos e descuido com a alimentação. Profissionais capacitados podem ser técnicos em enfermagem ou não, desde que tenham conhecimentos mínimos sobre essas áreas para que possam tomar as melhores decisões quando situações fora da rotina acontecem.

Como atender um idoso que sofreu uma queda no banho? Como lidar com atitudes negativas do idoso cuidado, tais como teimosia, tristeza ou hostilidade? Por mais que a possibilidade de acontecimentos como esses seja remota, é preciso estar preparado para situações adversas, incluindo o preparo do cuidador para decisões emergenciais antes do contato efetivo com os familiares. Dependendo do grau de dependência e da disponibilidade de membros da família, é preciso contratar mais de um cuidador, chegando a três, considerando três turnos de oito horas cada. Além dos custos trabalhistas, há outras despesas indiretas mas que podem ser significativas, pelo consumo de produtos de higiene, água e luz, além de alimentação e outras mais. Além disso, há as folgas para descanso e a eventualidade de problemas pessoais, o que determina a escalação de outro cuidador. Para tanto, empresas especializadas no fornecimento desse tipo de serviço podem oferecer mais praticidade para casos assim.

Fazendo as contas com esses custos e considerando ainda o comprometimento da privacidade, quando algumas vezes é impossível evitar o movimento de pessoas estranhas em toda a residência, muitas famílias chegam à conclusão de que uma moradia especializada acaba por custar o mesmo e oferece mais segurança e conforto, incluindo alimentação balanceada, que não compromete a rotina da família ou exige mais utensílios para cardápios diferentes. Ao pensarmos que os custos financeiros são importantes mas que o desgaste da constante preocupação também significa custo em qualidade de vida, podemos concluir que o carinho e respeito que temos com nossos familiares idosos não diminui quando decidimos pela alternativa de residências especializadas. A qualidade do encontro pode aumentar, incluindo a facilitação de acesso para outros familiares que, assim, ainda teriam tranquilidade e liberdade para visitas em momentos mais adequados.

 

13 comments on “Quanto custa manter em casa um idoso que necessita de cuidados?

  1. Com certeza, professora. Considerar apenas os custos financeiros visíveis é um erro muito comum cometido pelas famílias. A sobrecarga, as dificuldades com profissionais e os gastos ocultos são tão ou mais importantes. As instituições que prestam serviço não são necessariamente um lugar de abandono. As pessoas são heterogeneas e tem necessidades heterogeneas. Precisamos lutar contra qualquer tipo de preconceito e ter cada vez mais acesso a informação!
    Parabéns pela iniciativa. 🙂

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    • Beatriz, de fato muito cuidadores familiares esquecem que também estão em processo de envelhecimento e que compatibilizar desejos e necessidades de todos, não apenas considerando custo financeiro, representa tomar decisões baseadas em preconceitos. Infelizmente ainda há muitos casos em que existe resistência em optar pelo serviço de uma moradia especializada mas o prejuízo total pode se mostrar muito significativo. Obrigada pela participação!

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  2. Oi Maria Luiza, é muito bom esclarecimentos Qto a moradias para idosos no nosso país, pois eu , particularmente, ainda tenho comigo que os locais que temos atualmente não oferecem o conforto e atenção necessários à uma vida tranquila para os idosos. E me pergunto como me sentiria em uma moradia de idosos ou se teria coragem de mandar meu pais para uma moradia especializada. Com esclarecimentos de como funcionam e da qualidade dos profissionais responsáveis,pessoas como eu mudam a forma de pensar e empresários do ramo se preocupam em compreender melhor as necessidades dos idosos e na melhor forma de atendê-los. Belo trabalho o seu e com certeza muito útil. Estarei acompanhando. Beijos

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    • Iolanda, muito obrigada pelo apoio! Este é, realmente, meu objetivo: cada caso é único, não há uma receita que defina a melhor solução para todos. Manter o idoso em casa, quando tem autonomia mesmo que parcial, será sempre a melhor solução. Mas nos casos mais específicos relacionados a dependências, ou mesmo por incompatibilidade de temperamentos, vale a pena buscar alternativas que ofereçam cuidado especializado com conforto e bem-estar. Ainda há muito por fazer e vislumbro que os empreendedores neste setor estão em busca de soluções mais adequadas às necessidades contemporâneas… Grande abraço!

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    • Tamiko, frequentemente escuto comentários sobre dúvidas nesse sentido e percebo que geralmente há muita culpa dos familiares ao decidirem sobre a institucionalização. Quanto mais pudermos esclarecer sobre as alternativas existentes, melhor! Você, como gerontóloga, sabe que nem sempre é positivo para o idoso permanecer com a família, porque perdem a autonomia. Refletir sobre isso pode contribuir para que tenhamos futuros mais tranquilos quanto às nossas moradias… Beijos…

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  3. Olá Prof.Maria Luísa,

    Gostaria de poder conversar e fazer algumas colocações sobre o assunto. Eu tenho minha mãe com 88 anos e 4 anos com DA. É uma decisão muito difícil e não temos muitos lugares confiáveis a valores acessíveis. Gostaria que falassem mais sobre o assunto. Abraços.

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    • Sonia, realmente temos que evoluir muito nas propostas de moradia que atendam idosos e suas especificidades. Você mora em São Paulo? Há propostas interessantes aqui, mas concordo que as que oferecem condições a preços mais acessíveis em geral têm listas de espera. Vou preparar uma reflexão que amplie esse assunto e publico, ok? Mas gostaria de saber mais sobre suas angústias nesse sentido. Obrigada pela participação…

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  4. Sônia, sou professora universitária e prometi preparar um novo post exclusivo sobre suas colocações, mas tenho enfrentado alguma limitação de tempo e decidi conversar novamente com você para não deixá-la sem resposta. Onde moram? Talvez possa verificar alguma indicação, embora já tenha apontado que há poucas opções no Brasil que seguem o modelo que, acredito, atende mais amplamente as necessidades de pessoas com doença de Alzheimer. Há outros caminhos, como compartilhar o tempo de cuidado com Centros Dia que atendam pessoas com esse perfil, você já verificou isso? Abraços, aguardo seu retorno.

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  5. Profa. Maria Luisa, muito interessante esta abordagem. Já dirigi uma entidade filantrópica que mantinha um abrigo para idosos, alguns com algum nível de deficiência. Isto me chamou à atenção para este problema e para o nível de dificuldade que os familiares enfrentam para confiar seus entes queridos a um local especializado mormente porque sabemos que muitos destes lugares deixam muito a desejar a nível de cuidados e carinho para com o idoso. Por outro lado, temos uma legislação que em muito dificulta empreender nesta área. Pessoalmente já pensei na possibilidade de construir um centro de cuidados especializados. Moro no interior e acho que faria muito bem ao idoso o contato com a natureza, um nível adequado de liberdade que as cidades interioranas podem proporcionar. Podemos aliar a isto o lazer e a oportunidade de criar na área que for de seu interesse. Manter o idoso ocupado, seja com lazer seja com outras atividades para que não sinta tanto o passar do tempo. O que a Sra. acha desta abordagem? Onde posso obter mais informações sobre os requisitos dos idosos e da legislação? Gostaria de ter a oportunidade de explorar um pouco sobre isto contando com seu conhecimento e experiência. Atenciosamente

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    • Caro Eduardo, agradeço seu comentário e participação. Considero sua abordagem de inovação em um residencial para idosos bastante interessante, embora ressalve alguns aspectos. A decadência orgânica que todos sofremos com o passar dos anos acaba por mudar habilidades e interesses, além de limitar a mobilidade. Portanto, a liberdade junto à natureza pode depender muito dessas limitações. É certo, também, que a legislação brasileira ainda é pouco aperfeiçoada para considerar a heterogeneidade da velhice, o que acaba por criar condições únicas para um só tipo de instituição. Concordo que dar autonomia e estimular o protagonismo do idoso é um caminho importante para seu bem-estar. Por isso vejo como um caminho interessante criar condições de convivência ativa a partir de setorização do residencial, não para “separar” no sentido do esconder, mas para “agrupar” pessoas com objetivos semelhantes e que possam trocar experiências nesse sentido. Tenho um texto preparado sobre isso, mas podemos aprofundar melhor quando achar conveniente. Considere conversar com um gerontólogo, também, que é o profissional que pode aprofundar melhor sobre mitos e estereótipos da velhice, em geral o que provoca os preconceitos com os quais convivemos atualmente no Brasil. Sugiro que conheça a RDC 283/2005 da ANVISA, que traz as informações oficiais para o funcionamento de Instituições de Longa Permanência para Idosos. Abraços, estou à disposição para conversarmos.

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  6. Boa tarde,
    Muito interessante a abordagem desse assunto sobre a velhice. Tenho 62 anos, e na minha opinião, a institucionalização de um parente idoso, ou com outro problema não há motivo pra culpas desde q as pessoas q deveriam cuidar por algum motivo não tem condições, o pior é na minha opinião a pessoa idosa se sentir um transtorno na vida dos parentes.
    Vivemos tempos de crise q as pessoas precisam trabalhar e cuidar da outra parte da família dos filhos cônjuge. Desde q a instituição seja bem assistida, particular ou pública.
    Grato.

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