Em qual direção o vento sopra quando falamos em residenciais inovadores para idosos?

No último texto publicado, destaquei alguns aspectos que podem diferenciar moradias coletivas para idosos, tanto no programa arquitetônico quanto no modo de organizar os espaços. Alguns novos empreendimentos no Brasil têm oferecido “soluções inovadoras”, porém em geral a novidade está mais na aparência, pela composição de espaços mais coloridos e envidraçados, do que em um gerenciamento que ofereça condições de autonomia, sempre em nome de garantir a segurança do morador. Fico em dúvida se esta preocupação é mesmo com o morador ou com a imagem do empreendimento percebida por seus familiares, que geralmente são os verdadeiros contratantes dos serviços.

Causa certo espanto pensar que, a partir do que temos hoje, baste aplicar pequenas alterações que já seja possível alardear novidades. Com o mesmo raciocínio que os arquitetos fazem ao desenvolver um projeto arquitetônico, penso que devemos encarar o desafio a partir de uma folha branca: avaliar as boas práticas, reconhecer as características dos idosos contemporâneos e do futuro, focar nas necessidades das famílias que devem cuidar dos seus parentes idosos e considerar a presença do gerontólogo como um profissional capaz de integrar disciplinas que orbitam em torno do envelhecimento e da velhice. A partir disso, é possível propor residenciais compatíveis com os desejos de pessoas idosas, oferecendo opções adequadas e viáveis financeiramente.

Para que essa viabilidade aconteça, podemos considerar algumas reflexões que tenho feito desde que desenvolvi minha tese de doutorado, defendida em 2006. Pensar em edifícios economicamente viáveis deve levar em consideração que todo material exigirá, cedo ou tarde, manutenção adequada para que mantenha sua eficiência. Portanto, construir para durar significa escolher sistemas construtivos que permitam manutenção preventiva e facilidade de reposição quando necessário, possibilitando sustentabilidade ao empreendimento. A isso somam-se decisões quanto a dimensões, aproveitamento de recursos e racionalização de entrada de insumos e saída de resíduos.

Outra questão que considero decisiva diz respeito a projetos com flexibilidade na sua composição, pois há elementos capazes de criar vedações reajustáveis e sistemas que permitem diversas composições, garantindo um programa de atividades em constante evolução. Novos materiais em móveis e revestimentos são coadjuvantes importantes para que o funcionamento desses espaços acompanhe tendências, sem a necessidade de grandes investimentos e reformas custosas. Enfim, a meu ver os novos residenciais devem contar com a percepção de todos os atores sociais envolvidos no seu funcionamento, pois só assim poderemos oferecer soluções genuinamente inovadoras.

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