Que armadilhas podemos evitar na escolha de residências coletivas adequadas às rotinas do idoso e dos familiares?

Quando pensamos na possibilidade de viver em residenciais para idosos, normalmente focamos no atendimento e em aspectos relacionados à organização, especialmente os que denotem higiene e manutenção. Mas há outros que podem ser importantes para a frequência dos relacionamentos, tornando-se empecilhos ao longo do tempo.

Inicialmente, destaco a localização do empreendimento. Alguns colocam a proximidade com a natureza como sendo um diferencial significativo, e de fato pode ser. Porém, como fica o acesso de visitantes? Como se estabelece o deslocamento do morador, caso deseje visitar os familiares? Onde moram os colaboradores, o que garante o bom funcionamento da casa? Algumas opções podem estar distantes, mas com acesso de transporte público com frequência razoável, ou seja: pelo menos a cada duas ou três horas é possível embarcar em um ônibus confortável e seguro que leve a estações com mais opções de destino. Considerar o acesso exclusivamente de automóveis ou vans, visto que podem ser um serviço do empreendimento, acaba por se tornar caro e inacessível a muitos, especialmente familiares.

Outra questão a considerar é a possibilidade de as visitas serem em horários diversos. Por incrível que pareça, ainda encontramos empreendimentos que estabelecem períodos pré-determinados, como em hospitais, o que é justificado como sendo em razão do sossego do morador. Não concordo que o sossego seja quebrado pelo fato de recebermos visitas, até porque muitos moradores ficam à espera de notícias, em especial as que chegam através de interlocutores amigos ou parentes. Na minha tese de doutorado, propus que o restaurante que atenderia o residencial seria terceirizado, respeitando cardápios especiais para determinadas dietas e funcionando com acesso de quaisquer pessoas. A seleção do público seria pelo preço: moradores já teriam as refeições incluídas na mensalidade, outros idosos moradores da vizinhança teriam descontos no preço (estimulando novas amizades…) e visitantes em geral pagariam o preço cheio. Desse modo, um parente ou amigo poderia visitar no horário da refeição, adequando à sua própria rotina, até mesmo para pequenas comemorações. Uma forma de compartilhar refeições, racionalizar o tempo e comer com qualidade.

A terceira questão que visualizo é a adequação de espaços para receber visitantes. No próprio dormitório, em especial quando compartilhado, há limites de privacidade que podem ser incômodos e prejudicar a qualidade do encontro. Salas de estar e ambientes adequados à conversação caracterizam significativamente que ali é a residência do idoso, mesmo que outros grupos estejam próximos. Deveríamos pensar nisso como a maneira de se caracterizar esta opção como uma mudança para uma residência apenas mais segura por oferecer assistência, e não por um triste isolamento.

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