Muros altos e grades garantem a segurança e a privacidade de nossas residências?

Este é um questionamento que há muito tenho feito e que sei fazer parte do imaginário de muitas pessoas: é preciso refletir sobre os dois aspectos e depois relacioná-los, pois um não exclui o outro. Então vejamos quais são os riscos negativos que corremos quanto à segurança se não construímos barreiras para intrusos e quais os limites possíveis que garantem privacidade, visto que é impossível apartar-se completamente do mundo exterior quando, além da visão, temos outros sentidos muito estimulados, como a audição e o olfato.

Muros altos dificultam a transposição, mas também escondem o que está do lado de fora. Câmeras podem dirimir dúvidas mas também são vulneráveis em determinadas posições. Sensores de presença acendem luzes que auxiliam na identificação mas não impedem ações rápidas e sorrateiras. Cães de guarda ficam com restrição para o uso do olfato e alerta para presença de visitantes inesperados. Grades facilitam a identificação visual por câmeras posicionadas em locais remotos, mas também descortinam as rotinas da casa e a identificação dos seus moradores e outros frequentadores. O uso de drones de vigilância está em processo de regulamentação, pois é um recurso que depende de definições éticas para sua aplicação. Portanto, segurança total parece ser uma utopia, mesmo com a implementação de soluções tecnológicas avançadas.

Tanto os muros quanto as grades podem aumentar a privacidade, pois o uso de vegetação auxilia no isolamento acústico, mesmo que parcialmente. Barreiras da visão garantem maior privacidade para comportamentos íntimos, mas não suprimem a invasão de ruídos indesejados, incômodos para um relaxamento completo. Além disso, conforme a direção do vento, isso pode se tornar ainda mais grave, acrescentando-se a presença de odores igualmente indesejados. Cozinhas ou áreas de lazer podem produzir vapores, conduzir gorduras e impor odores de alimentos e até de resíduos, quando não há um cuidado com sua conservação até sua disposição final. A privacidade não é mantida apenas visualmente, há outras formas de invasão.

Segurança e privacidade em residências para idosos têm sido tratadas como fortes argumentos para os familiares, mas podem causar isolamento e falta de estímulo para vivenciar a passagem do tempo. Como falamos sobre a janela e o aparelho de televisão, ver o mundo significa participar ativamente das suas mudanças, usando todos os sentidos que possam comunicar que estamos vivos e ativos. Mesmo idosos demenciados sinalizam perceber estímulos naturais ou não, mas que não sejam produzidos especialmente para eles. Acompanhar modas e modos, perceber ruídos de crianças brincando e apreciar novos modelos coloridos de carros ou outros elementos, são meios de exercitar a mente, reconhecendo sua presença e importância no mundo.

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