O banheiro pode ser o ambiente mais perigoso da casa?

É no banheiro que são desenvolvidas atividades relacionadas à higiene corporal e, portanto, a água é usada de diversos modos. No lavatório lavam-se mãos, o rosto e escovam-se os dentes. Ali também é feita a barba, a maquiagem e outros ajustes da aparência que podem exigir o uso da água. O banho propriamente dito será dentro de um box ou de uma banheira, protegidos ou não por algum tipo de fechamento. O uso do sabonete torna a base sempre escorregadia, por mais que haja enxágue, o que aumenta o risco e a necessidade do cuidado. Também a bacia sanitária, chamada popularmente de vaso, mesmo com altura adequada para pessoas mais frágeis, pode ter algum despejo indesejado de líquidos, seja por uso de mangueiras higiênicas ou por descuidos no uso, especialmente na transferência de cadeiras de roda.

Começando pelo lavatório, é muito importante uma altura adequada, assim como o espelho, exigindo que o idoso se curve menos para usar a torneira. Os instrumentos de higiene devem estar acessíveis e de fácil visualização, especialmente a toalha de rosto. Iluminação à frente e acima também garantem uma boa visualização do rosto, evitando movimentos que espalhem água e tornem a área ao redor muito molhada e escorregadia.

A área do chuveiro, além de molhada pela impossibilidade de captar a água de modo direcionado, conta com a umidade que ocorre pelo vapor da água quente, geralmente alcançando todo o banheiro. Cortinas são preferíveis quando o banho for auxiliado por cuidador, e sempre em box com piso plano, pois as banheiras exigem uma transferência ainda mais perigosa em função da transposição de um nível ao outro. O sabonete diluído na água torna as superfícies escorregadias, o que aumenta a importância das barras de apoio em pontos estratégicos, auxiliando na manutenção do equilíbrio e da postura. Tapetes podem ser usados desde que emborrachados e grandes o suficiente para suportar o peso do corpo em movimento.

A NBR 9050, norma brasileira de acessibilidade, recomenda que a altura da bacia sanitária seja maior do que a maioria das peças disponíveis no mercado. É possível assentá-la sobre uma base, chamada sóculo, para alcançar uma altura de 46 cm. Para pessoas mais frágeis mas que podem levantar sozinhas, há adaptadores que criam braços de apoio para que esse movimento seja menos prejudicial aos joelhos. Para cadeirantes, é preciso deixar ao lado da bacia um espaço que permita a transferência, lembrando que duchas higiênicas devem permanecer ao alcance tanto do usuário quanto do cuidador, quando for o caso.

Para completar, escolher pisos fáceis de limpar mas que sejam antiderrapantes, pois as quedas em banheiros são frequentes e alguns acidentes podem causar sequelas físicas e emocionais muito significativas. Portanto, atente para essas recomendações simples mas eficazes, assim o banheiro não se torna uma armadilha dentro de casa.

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