Há empreendedores focados em serviços para idosos realmente preparados para implementar soluções inovadoras?

A cada dia que passa, percebe-se o quanto a longevidade crescente da população mundial está exigindo soluções para novas necessidades relacionadas ao fenômeno, desde o cuidado propriamente dito até a oferta de novos produtos pessoais, tais como calçados, roupas e dispositivos de apoio. Aos poucos foram aparecendo programas de manutenção da qualidade de vida com exercícios físicos, nutrição balanceada, atividades culturais e eventos sociais, visando a estimular a capacidade cognitiva e prevenir o avanço acelerado de demências. Porém, ainda há pouca evolução em propostas inovadoras para residenciais geriátricos e/ou centros dia, considerando o modo de morar mais adequado para cada condição orgânica e cognitiva, pois a velhice é heterogênea e dependente de toda uma história de vida que define cada sujeito idoso.

É atribuída a Mark Twain a frase: “em época de corrida do ouro, é preciso oferecer pás e picaretas”. Há poucos arquitetos efetivamente engajados na Gerontologia Ambiental e que ofereçam um serviço que vá além de uma boa articulação funcional, técnica e estética na criação de espaços de qualidade. Sabe-se que a prática da empatia é uma exigência na relação profissional-cliente ao se desenvolver um projeto arquitetônico, pelo menos é o que deveriam praticar os bons arquitetos, aqueles que realmente desejam um resultado melhor possível, muito além de priorizarem suas “genialidades”. Colocar-se no lugar do usuário, orientando o demandante do projeto a que compreenda quais aspectos podem agregar o valor que diferencia o espaço construído e o torna um lugar com significados elementares, essa sim deveria ser a meta desejada. Edifícios e entornos belos são importantes, desde que estejam direcionados a atender os desejos e necessidades dos sujeitos que os ocupam, pois a emoção é um atributo humano e este é o papel da arte.

Os empreendedores que hoje percebem a necessidade de “pás e picaretas” nesta atual corrida do ouro têm enfrentado a dúvida de como organizar o espaço físico de residenciais geriátricos e centros dia, seja em novos edifícios ou adaptando antigas estruturas. Não bastam soluções que atendam condições de acessibilidade, pois a norma brasileira está aí disponível a quem desejar consulta-la, assim como não basta “bom gosto” na articulação do mobiliário, pois é preciso compreender o comportamento de idosos que utilizam esses lugares. Ainda se percebe muito preconceito quanto à velhice, como se ela chegasse apenas aos outros, impedindo que alguns arquitetos se aproximem dos profissionais que compõem equipes multidisciplinares para a implantação de empreendimentos desta natureza. Entender como se articulam gerontólogos, assistentes sociais, enfermeiros, médicos, terapeutas ocupacionais e psicólogos, além de gestores que administram o funcionamento de equipamentos geriátricos, é fundamental para um bom projeto arquitetônico, atendendo questões funcionais, técnicas e estéticas para o idoso, este usuário tão específico.

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