Quem envelhece em Porto Alegre sente-se estimulado a participar de atividades em áreas públicas quando torna-se idoso?

Capital que começou como Porto dos Casais, porque nasceu da chegada de casais açorianos que se instalaram junto ao Guaíba, oferece belos locais de lazer e uma arborização significativa em parques com ambientes para rodas de chimarrão, caminhadas e outras atividades ao ar livre. Especialmente na orla fluvial, esperar o pôr do sol já foi tradição entre aqueles que buscam atividades em espaços abertos, além de passear nos parques Farroupilha, Moinhos de Vento e Marinha do Brasil. Enfim, Porto Alegre oferece áreas verdes públicas atraentes além de museus e centros culturais importantes, mas nos últimos anos percebe-se que o interesse está diminuindo em função do aumento da criminalidade, inibindo especialmente o cidadão idoso.

Há muito percebemos o quanto essa criminalidade cresce, tornando o direito de ir e vir uma aventura nas grandes cidades. Porto Alegre se apresenta a cada ano mais vazia à noite, como se evitar a rua ou trancar-se em ambientes supostamente protegidos fosse garantir bem-estar: muito pelo contrário, a cada fuga de ruas perigosas, mais se dá espaço para o crime. Aumenta a preferencia pelos shopping centers, em especial pela oferta de lazer associada ao atendimento de necessidades comerciais. Na recente reforma do Shopping Iguatemi, é oferecido atendimento de consultas médicas, num confortável setor integrado ao espaço comercial, o que justificaria sua escolha pela facilidade em ocupar o tempo de modo pleno.

O clima, muito úmido pela proximidade com o Guaíba, pode tornar desagradáveis dias com temperaturas extremas. Andar nas ruas em horários mais confortáveis, tais como o início da manhã ou à noite, poderia ser estimulante, mas a insegurança quanto a viver a cidade de modo pleno tem sido prejudicada pelo desânimo e pela desconfiança quanto ao caráter do convivente nos espaços públicos. Então, como pensar que ambientes tão atraentes para desfrutar a cidade podem ser utilizados com prazer se a sensação de insegurança e o medo dominam o imaginário da população? Idosos têm ainda mais dificuldades nesse sentido, pela lentificação de movimentos, percepção e reação a situações de perigo.

Porto Alegre é minha cidade natal e a visito constantemente. A cada ano sinto que aumenta o medo de aproveitar seus belos espaços públicos, desde a praça da Alfândega com seus prédios históricos e rua dos Andradas, até os bares da Cidade Baixa, passando pela rua Padre Chagas e sua Calçada da Fama. O calçadão na Rua da Praia já precisa ser trilhado com muita atenção e idosos temem serem abordados de modo violento. É preciso que tenhamos mais amor com esta linda cidade e isso exige atitude: apropriar-se das suas áreas públicas, efetivamente usando as praças, cuidar das calçadas e mobiliário urbano, incentivar o comércio a que mantenha suas portas abertas para consumo pleno, mantendo vivas as atividades primordiais desta grande cidade. Só assim viver a velhice em Porto Alegre pode tornar a ser um orgulho e o desejo dos seus cidadãos.

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