Quais são os caminhos para discutir e desenvolver soluções inovadoras em moradias para idosos?

Desde 2015 tenho trazido reflexões sobre moradia na velhice através deste blog, usado como um canal para compartilhar ideias e angústias na busca de soluções inovadoras. São frutos de experiências profissionais em conversas com especialistas, leituras em fontes ainda raras e pesquisas acadêmicas, incluindo inspiração em filmes de cinema, onde a arte imita a vida. Mas recentemente tive o prazer de conhecer a última produção literária de Míriam Leitão, História do Futuro – o horizonte do Brasil no século XXI (Rio, ed. Intrínseca, 2016), com aspectos diversos sobre a realidade brasileira. E o crescente envelhecimento da população aparece como um desafio, sobretudo consideradas as demandas de famílias menos numerosas e com filhos que gerenciam os cuidados aos seus pais idosos:

“Há várias possibilidades para esses cuidados de longo prazo, que podem envolver tanto a adaptação das casas quanto a transferência do idoso para moradas coletivas ou instituições especializadas. É preciso quebrar o preconceito que cerca a palavra “asilo” para entender que uma pessoa de meia-idade, tendo que trabalhar, cuidar de filhos jovens, não pode ser sobrecarregada pelos mais velhos; e que os próprios idosos podem querer preservar sua autonomia.”

Com leitura fluida dos capítulos, encadeados por sequência de fatos fundamentais que permitem compreender o que se vive no Brasil hoje, o livro de Míriam Leitão oferece dados que esclarecem nossa realidade e apontam para demandas sociais importantes. Fala de educação, de economia, de proteção das reservas naturais e, aí, incluem-se as comunidades indígenas, cada vez menos capazes de manter a proteção dos seus territórios. Ter encontrado o tema da moradia na velhice foi significativo, pois há mais do que o fato em si, mas também a constatação de que é um tema que extrapola o âmbito familiar:

“Essa questão tem que ser analisada de forma ampla pelas famílias e pelos formuladores de políticas públicas. Hoje alguns países já estão desenvolvendo áreas de moradia, como um condomínio com serviços de atendimento a idosos. Mas são soluções caras e ficam restritas aos grupos que podem pagar por isso. Há projetos de voltar a viver em comunidades para ajuda mútua e divisão de custos, o que é curioso, porque se trata de uma geração que já fez experimentos assim na juventude.”

Muitos desafios no Brasil têm sido enfrentados com um certo atraso, e um deles é definir alternativas com condições dignas de moradia para idosos, em especial aqueles que não contam com um suporte social que lhes garanta autonomia até o limite possível. Pode haver um momento em que se exijam cuidados especializados, necessitando de cuidadores treinados para o manejo adequado e respeitando a história composta ao longo de percursos de vida nem sempre favoráveis. É preciso pensar mais nesse tema, urgente e necessário para um país que envelhece mais rapidamente a cada ano.

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