Que resultados podemos esperar das políticas públicas voltadas à moradia dos idosos brasileiros?

Aconteceu na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, no último dia 17 de maio, o debate intitulado Políticas Públicas para o Envelhecimento Saudável: o que o Brasil pode aprender com a Holanda?, contando com exposições do vice-ministro de saúde da Holanda, Bas van den Dungen, e o médico brasileiro Alexandre Kalache, que atuou na OMS na elaboração da Política de Envelhecimento Ativo (2002) e do projeto Cidade Amiga do Idoso (2007).

Há muito tenho perseguido informações sobre os resultados dessas políticas públicas implementadas naquele país, pois soube de iniciativas que condicionavam a construção de residenciais para idosos sempre muito próximos de equipamentos destinados a crianças, possibilitando encontros intergeracionais através da convivência diária ou, simplesmente, pela oportunidade de contemplar a movimentação ao longo do dia. Com isso, fica estabelecida uma conexão de mão dupla, com crianças vivenciando as mudanças da velhice com naturalidade e sem preconceitos, além dos possíveis encontros entre gerações em atividades lúdicas. Mas, de acordo com o palestrante, observou-se uma segregação da população idosa pelo afastamento progressivo dos familiares, cada vez menos numerosos e mais ocupados.

A partir daí foram adotadas novas medidas, igualmente estabelecidas como políticas públicas. O governo holandês decidiu rever o investimento em construção de suas nursing care homes para redirecionar esses recursos no apoio para o cuidado em casa, esvaziando paulatinamente as já existentes e mantendo somente para aqueles que não possuam suporte familiar. Bas defendeu que o aumento da população idosa trouxe a reflexão de que se torna desproporcional pensar em moradias exclusivas considerando que muitos podem permanecer em casa. Mesmo com rotinas de trabalho fora, os familiares ficam tranquilos porque o Estado providencia o apoio durante esse período, proporcionando cuidado, atenção à saúde e acompanhamento psicológico adequados. Segundo ele, uma medida que equilibra os investimentos e proporciona melhores resultados a médio e longo prazo.

É evidente que a Holanda vive uma economia equilibrada e mantém uma sociedade sem grandes desníveis sociais, o que permite intervenções dessa magnitude. Kalache apontou que poderemos avançar somente quando houver efetiva igualdade e que será importante desenvolver uma cultura do cuidado, visto que a solução experimentada pela Holanda ilustra o que ele denominou de “síndrome da insuficiência familiar”. Enquanto houver somente soluções polarizadas – permanecer em casa sob cuidados e atenção de qualidade duvidosa ou institucionalizar em empreendimentos que não consideram necessidades e desejos de cada indivíduo, mantendo o modelo de cuidado dos antigos asilos –, há pouco a esperar das políticas públicas para moradias, carentes de reflexões e resultados inovadores.

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