Os residenciais brasileiros para idosos seriam vistos de modo diferente se estimulassem a intergeracionalidade?

A maioria das pessoas pensa em moradias especializadas para idosos como asilos, empreendimentos originalmente criados por congregações religiosas que recebiam e abrigavam pessoas em situação de vulnerabilidade social. Quando velhice era sinônimo de inutilidade e não havia suporte social que atendesse fragilidades decorrentes do avanço da idade, ir para o asilo significava ter o abrigo e a proteção necessários para viver até o fim. Portanto, a imagem desses institutos como “depósitos de velhos” era imediata, onde apenas esperavam a morte numa perspectiva estritamente assistencialista. Com o avanço da medicina e da consciência da prevenção para uma vida mais saudável, através da atividade física, cognitiva e social, os asilos passaram a atender as novas demandas e deixaram de ser lugares de tristeza e isolamento, adotando-se o termo Instituição de Longa Permanência para Idosos. Esse nome técnico ainda sugere que seja um espaço controlado, com baixa atividade e apenas oferecendo um programa básico de atendimento à simples sobrevivência de indivíduos longevos, mantendo a ideia de inutilidade.

A sociedade mantem no seu imaginário uma visão de homogeneidade, como se todos percorressem os mesmos passos no processo de envelhecimento. Desse modo, o preconceito é passado de geração em geração, sem renovar a visão da mudança. Assim, poucas crianças frequentam os residenciais contemporâneos, especialmente porque os pais não as levam temendo situações de tristeza e melancolia. A assistente social Elizabeth Elias sugere, em seu artigo no Portal do Envelhecimento (http://www.portaldoenvelhecimento.com.br/importancia-de-programas-intergeracionais-na-cidade-de-sao-paulo/) que encontros intergeracionais podem ser uma oportunidade para conhecer as limitações que o tempo impõe às pessoas e, ao mesmo tempo, oferecem momentos de felicidade aos idosos, que podem contribuir “para a formação das crianças, com valores e ensinamentos, muitas vezes esquecidos na sociedade atual.”

No programa “Old People’s Home for 4 Years Old”, produzido por uma rede de televisão inglesa (https://theconversation.com/what-happened-when-we-introduced-four-year-olds-to-an-old-peoples-home-82164), foi registrado um experimento durante seis semanas, com 10 crianças de 4 anos convivendo com 11 idosos com idades ao redor de 80 anos, na cidade de Bristol, pela inserção de uma creche no ambiente da moradia. Os indícios de depressão nos idosos desapareceram significativamente e a mobilidade melhorou consideravelmente. Pode-se supor que a sociedade poderia rever seus preconceitos a partir dessa experiência, comprovando os benefícios de uma convivência intergeracional, especialmente ao derrubar as barreiras construídas ao longo de uma história que, se muda internamente nas moradias, nem sempre muda na visão das pessoas que não frequentam esses lugares de vida.

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