O que caracteriza os espaços públicos equipados com mobiliário urbano adequado para atrair idosos que passeiam?

No texto anterior, a questão central foi a existência de propostas para construção de equipamentos projetados para impedir a presença de moradores de rua, além de alternativas que impedem que skatistas utilizem bancos como pista para suas manobras, conservando a integridade dos seus componentes. Ocorre que, ao afirmar que o uso mais intensivo dos bancos afastaria essas pessoas, surgiu uma polêmica não esperada mas que provocou o necessário detalhamento dessa posição, em especial ampliando a ideia de que mais opções estimulam os passeios, principalmente de idosos. Faltou esclarecer que a solução não é impedir determinados usos mas, sim, oferecer mais alternativas que aumentem as opções de escolha.

Partindo do princípio que, quanto mais pessoas na rua mais segurança pode ser garantida, praças e locais de estar ao ar livre são atrativos importantes nas cidades, principalmente quando movimentadas. Um morador de rua estabelece o lugar para permanência provisória onde haja certo resguardo desse movimento, condição importante para o repouso de qualquer pessoa. Portanto, lugares abandonados em função da falta de estrutura estimulante para seu uso geralmente tornam-se atraentes para quem busca esse sossego, utilizando seu direito à cidade tal qual todo cidadão que viva sob tetos permanentes. Ter ou não um teto é circunstância social, que não deve excluir quaisquer indivíduos que busquem lugares de permanência, seja por minutos, horas ou dias.

Considerando que idosos ativos podem preferir usar seu tempo livre em eventos rotineiros como caminhadas, jogos de mesa ou encontros casuais para conversas com amigos, é preciso garantir lugares equipados com assentos, luminárias e estruturas de recreação para crianças, já que encontros intergeracionais também motivam o uso de praças. A sociedade é diversa em gênero, raça e condição socioeconômica, portanto nada mais natural do que a convivência nesses espaços públicos. Um morador de rua naturalmente busca montar sua estrutura de repouso em locais com menor presença de pessoas, então mais equipamentos devem existir para atender todo tipo de uso, inclusive desses cidadãos sem teto, que muitas vezes estão nessa condição por opção, apesar da efemeridade da moradia.

Instalando-se mobiliário urbano adequado, os espaços públicos tornam-se atraentes para idosos que passeiam. O que os caracteriza é a qualidade através de materiais sustentáveis e manutenção frequente, considerando também a instalação de placas orientativas, lixeiras e pisos regulares. Bancos amplos podem ser usados para sentar e deitar, atitude compatível com qualquer pessoa que busque relaxar em meio à natureza sob o sol ou refrescando-se à sombra. Desejar uma cidade segura e agradável será sempre uma meta de usuários ativos e que convivem com o próximo de modo pacífico, não havendo motivos para temer cidadãos sem suporte social mas que devem ter seus direitos igualmente garantidos.

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