Com quem vamos morar na velhice em diferentes modelos habitacionais?

Recentemente circulou pelas redes sociais a história de cinco irmãos americanos que, depois de 70 anos morando com suas próprias famílias, resolveram mudar para uma moradia institucional para passarem o final das suas vidas juntos (https://perfeito.guru/cinco-idosos-irmaos-melhores-amigos-e-decidiram-passar-o-resto-de-suas-vidas-juntos-em-uma-casa-de-repouso/). O articulista do site Today, Eun Kyung Kim, em janeiro de 2017 registra:

Qual é o verdadeiro significado de família? Dizem que família não se escolhe e, de fato, realmente não temos nenhum poder sobre as pessoas com quem vamos dividir muitos anos das nossas vidas. Mas aí, pela ordem natural, escolhemos os nossos parceiros de caminhada e os membros da família — ainda que unidos — dificilmente voltam a dividir o mesmo teto.

Ao refletirmos sobre alternativas para morar na velhice, preferencialmente planejamos permanecer na mesma casa ou onde haja familiaridade com o lugar, de modo a manter os elementos significativos da memória. A família original e depois a que passa a ser formada por casamentos ou outras associações normalmente é a companhia preferível, pelos laços afetivos que se constroem. À medida em que as mudanças ocorrem, seja por separações, morte, novas necessidades ambientais em função de doenças ou mesmo pelo desejo de renovação, a tendência é que os grupos de convívio sejam transformados para novas configurações sociais.

Na história em questão, a irmã mais nova tem 85 anos e a mais velha 98 anos, supondo-se que havia laços de afeto muito bem construídos para a decisão de morarem juntos novamente, sendo sobreviventes de uma família de onze filhos. Se pensarmos que as gerações mais novas estão progressivamente com menos filhos, um dos motivos da significativa presença de idosos nas cidades contemporâneas, poderíamos imaginar que seria mais fácil a aproximação de irmãos ou primos idosos, especialmente considerando o desejo de voltarem a viver juntos. Mas há um aumento de individualidade nas grandes cidades, o que acarreta a fragilização desses vínculos até que, ao perceberem-se sozinhos, muitos idosos esperem o apoio de filhos que, em algumas situações, não mais são capazes de reconstruí-los.

O propósito deste blog é provocar essa reflexão: com quem vamos morar, se as distâncias físicas e a facilidade de comunicação pode comprometer os afetos? E mais ainda: estamos preparados para decidir sobre novas alternativas, seja no engajamento em grupos de co-housing, na adoção de moradias institucionais ou na busca por moradias assistidas? Deixamos para pensar no assunto quando percebemos a iminência da solidão ou da necessidade do cuidado, passando a depender de outrem para tomar providências. Se estivermos conscientes que podemos garantir qualidade de vida por decisões pessoais, uma solução de mudança da moradia será menos impactante, seja indo para outros lugares ou trazendo estrutura para onde estivermos. Assim, seremos modulares, e mais felizes, com certeza.

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