Pessoas criativas têm mais facilidade para reinventar os ambientes da sua moradia?

Quando se fala em renovar os ambientes da casa, parte-se da mudança de revestimentos e cores, utilizando novos materiais em estofados e pintura das paredes. Também é possível mudar tapetes e cortinas, além de acrescentar novos objetos complementares, além de alterar o leiaute do ambiente, quando houver espaço para novas articulações. Mas quando há limites nos recursos disponíveis, geralmente pessoas habilidosas buscam alternativas viáveis a baixo custo, o que pode resultar em soluções bem mais interessantes e diferenciadas.

A história da canadense Maud Lewis, representada em “Maudie, sua Vida e sua Arte” (Irlanda/Canadá, 2016), descreve sua trajetória de vida ao conviver com uma artrite reumatoide que lhe causa deformações no corpo. Apesar disso, aceita a proposta de trabalhar como doméstica na humilde casa de um rabugento vendedor de peixes, com quem acaba casando e é por ele cuidada até a morte, aos 67 anos. Encontrando um lugar descuidado e composto com móveis desgastados, quando era maltratada pelo “patrão” utilizava uma lata de tinta verde e rabiscava nas paredes. Aos poucos, passou a comprar tintas de outras cores e a pintar paisagens em pequenos cartões, o que chamou a atenção de uma nova-iorquina, que incentivou sua arte, sempre utilizando as paredes e outros elementos da casa como suporte. Pintava em placas de madeira e passou a atender encomendas, tornando-se famosa e divulgada em noticiário americano. Além do avanço da doença, fumava muito e desenvolveu um enfisema pulmonar, o que definitivamente agravou seu estado de saúde. Mas sua arte folk hoje compõe acervos de importantes museus canadenses e americanos.

O filme retrata a mudança do ambiente da moradia do casal a partir das intervenções artísticas, adicionando cores nas paredes e outros elementos, inclusive nos vidros da janela. Para a protagonista, os motivos já estavam lá fora, emoldurados pela natureza, e ela apenas usava a memória para reproduzi-los, criando quadros com adição das cores escolhidas pela sua imaginação. O marido, antes grosseiro e incomodado com a presença de tantas pessoas, passa a admirá-la e a apoia nessa jornada. Até na fachada externa aparecem cores, pois a procura pelos seus quadros a coloca em produção constante, mas sempre acrescentando novas figuras ao conjunto permanente.

A lição que podemos aprender refere-se ao reconhecimento de habilidades que transformam os espaços de vida, pois nem sempre é preciso muito investimento para reinventar os lugares. Um tapete especial pode ocupar um espaço na parede, assim como um móvel “sem graça” pode ser revestido com tinta, tecido ou mosaico, o sofá desbotado ser coberto por uma capa e portar almofadas coloridas costuradas à mão e mantas estampadas serem despojadas sobre poltronas. Experimentar novas possibilidades com poucos recursos geralmente sugere outras alternativas e estimula a criatividade que todos têm, mas nem sempre exercitam, desperdiçando oportunidades de muito prazer.

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