A maturidade leva a escolhas em detrimento de modas, para que se possa viver como desejar?

Muitas histórias cômicas descrevem idosos em atitudes inesperadas para determinadas imposições sociais, como se a velhice significasse a obrigação de não ser criativo e espontâneo. A ideia de que essa fase da vida é de dependência, fragilidade e tristeza generaliza a expectativa de que todo o idoso se encaminha para o fim do mesmo jeito, homogeneizando uma imagem distorcida da vida. Assim como é aceita a ideia de que há aumento da sabedoria, igualmente são enfatizadas as perdas, despertando uma angústia quanto a aproveitar o que resta da vida. Isso pode incorrer numa perda de oportunidades para ser feliz, prejudicando o momento para aproveitar melhor as experiências vividas.

O Portal Raízes (https://www.portalraizes.com/revolucao-grisalha/)publicou uma interessante reflexão sobre isso, a partir da tendência atual de as mulheres se permitirem optar por não tingirem seus cabelos apenas por uma suposta cobrança social, pela qual homens grisalhos são aceitos mas, para elas, representa que estão velhas.

Os cabelos brancos estão na tendência das mulheres livres da pós-modernidade e cada vez mais mulheres optam por deixar de pintar as madeixas para assumir uma cabeleira prateada, livrando-se da escravidão das convenções estéticas baseadas no culto à eterna juventude.

Independente de moda, que igualmente determina rigores em escolhas nos mais diversos aspectos da vida, a opção por demonstrar o envelhecimento com naturalidade depende do prazer estético que toca a sensibilidade de cada pessoa. Individualmente desenvolvemos preferências ao longo da vida, mesmo que intimamente, pois para alguns a submissão a outrem impede que manifeste suas escolhas. Isso pode explicar porque alguns idosos se tornam “atrevidos” de acordo com a observação de amigos e familiares, às vezes levando a pensar que se encaminham para estados de demência ou comportamentos antissociais. Geralmente é a simples percepção de que ser protagonista da própria história depende somente de definir o que traz felicidade, seja a partir do que se expressa no próprio corpo ou onde se sente bem.

(…) … a moda genuína é aquela que te liberta. Que faz com que você se sinta à vontade, confortável e, dane-se, o que pensam os demais.

A moda em vestuário, cabelos, decoração e estilos em geral é direcionada pelo mercado que a cria, porque o ser humano é constantemente estimulado pela novidade. Assim, é preciso oferecer novos produtos para que o consumidor se enxergue diferente, embora a adoção da “novidade” acabe deixando todos muito parecidos. Pensemos nas nossas moradias como um reflexo do que consideramos bonito e confortável, porém sempre em constante renovação, resultado da possibilidade de nos atrevermos a mudar, modulando nossos desejos e necessidade na velhice, especialmente na vida privada, onde não há limites para sermos felizes.

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