Quais alternativas de moradia na velhice oferecem autonomia e podem evitar a solidão?

Muitos familiares de idosos moradores em residenciais coletivos confessam estarem pouco à vontade com essa decisão, pois temem que se sintam abandonados. A opção é tomada geralmente porque a dificuldade de cuidar em casa mostra-se impraticável pelos riscos de quedas ou de administrarem-se medicamentos de modo errado. Equipes especializadas têm melhor preparo para eventos inesperados, sendo treinados para o manejo físico e psicológico mais adequado. Mas também encontramos moradores que expressam alívio ao preferirem a moradia institucional, seja por não se adaptarem na casa de filhos e a cuidadores profissionais, ou pelas dificuldades nos relacionamentos.

É preciso reforçar o motivo que fundamenta este blog: estamos vivendo mais e melhor, mas com menos apoio familiar em função do menor número de filhos e dos compromissos profissionais que assumem. Mas faltam alternativas de moradia na velhice que atendam a heterogeneidade que caracteriza essa fase da vida e, portanto, diversos modelos têm sido estudados para evitar a solidão. No site 50 e mais encontramos esta reflexão (http://www.50emais.com.br/mais-independentes-e-ativos-velhos-nao-querem-morar-com-filhos/):

Pensar em moradias para idosos é pensar onde mais de 50% da população brasileira vai morar. As projeções mostram que, até 2040, metade do País terá mais do que 50 anos. Assim começam a surgir por aqui modelos que, muitas vezes ainda embrionários, ajudam a mostrar as opções que teremos para oferecer antes mesmo da metade do século. Essas novas formas tentam atender uma variada gama de idosos, das classes mais humildes às mais abastadas.

Além de moradias institucionais e condomínios com serviços especializados, a coabitação é outra alternativa que vem ganhando adeptos em todo o mundo. Para que haja convivência harmônica é necessária uma atitude que respeite paradigmas fundamentais, tais como solidariedade e sustentabilidade, a partir do compartilhamento de rotinas e espaços. No site UAI (https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2019/02/11/noticias-saude,241377/modelo-de-habitacao-cohousing-senior-cai-no-gosto-de-quem-quer-uma-vel.shtml)a jornalista Laura Valente destacou essas características.

Especialistas apontam que viver em um cohousing favorece a qualidade de vida dos idosos. Porém, exige novo comportamento, focado no desapego e em processos de cooperação.

Nossas raízes culturais ainda são pouco acostumadas ao descarte e ao desapego, mas essa postura está também em transformação. Os imóveis contemporâneos estão cada vez menores, especialmente por questões econômicas, o que determina a adoção de sistemas mais racionais para atendimento de rotinas. Assim, a cada geração já se vislumbram novos comportamentos, o que permite prever que os idosos do futuro podem aderir a diferentes modos de morar, de acordo com a pluralidade das diversas velhices. Este é um dos compromissos de quem pesquisa em Gerontologia.

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