Como estabelecer regras em residenciais coletivos para idosos sem comprometer os desejos dos moradores?

Regras são necessárias para manutenção da ordem onde haja a convivência entre moradores, mais ainda quando são pessoas que passam a conviver somente a partir da velhice. Cada indivíduo estabelece o modo como organiza sua moradia, desde o planejamento de rotinas até como define o arranjo dos ambientes, personalizando o seu lugar de vida com elementos significativos da sua própria história.

Lendo as percepções diárias de um autor holandês, que usa o pseudônimo de Hendrik Groen e personifica um idoso institucionalizado com 83 anos e ¼ em Tentativas de Fazer Algo da Vida (Ed. Planeta, 2016), encontramos diversos aspectos das vivências em moradias institucionais, aqui destacando o relato de regras e o quanto podem incomodar se houver excessos.

Muitos donos de animais sofreram quando foram separados sem piedade de seus cães e gatos ao se mudar para o Lar do Ocaso. Não importa quão calmo e tranquilo, quão velho e doente o quadrúpede seja, regras são regras: vai para o asilo de animais.

Animais de estimação nem sempre são bem aceitos, seja porque alguns não gostem ou em função das limitações impostas por questões de higiene. Por outro lado, podem criar uma dinâmica que altera a ordem à qual os moradores ficam acostumados, o que também impõe regras implícitas que definem territórios pessoais.

Todos têm lugar fixo: à mesa, no bingo, no “música para se movimentar”, na sala de leitura. Se quiser ser odiado, é só se sentar no lugar de alguém.

Mas é no território privado que fica mais evidente o sofrimento que a restrição de alguns desejos pode incomodar e, até, impedir que o morador se sinta pertencente àquele lugar, não o reconhecendo como um lar.

As regras são claras: nada de furos nas paredes. Cada quarto tem, de praxe, quatro pontos fixos com ganchinhos para pendurar quadros, e a gente tem que se virar com isso.

Por fim, o autor descreve como gostaria que fosse a moradia coletiva dos seus sonhos, se ganhasse na loteria.

Não haverá direção, porteiro nem conselho administrativo. Tampouco gerente de recursos humanos, contador ou chefia de serviços internos. Sem regras nem estatutos. Isso vai economizar rios de dinheiro e um monte de reclamações. Haverá, sim, lugar para o bom senso, para funcionários simpáticos e para um bom cozinheiro – isso quando não tivermos vontade de preparar refeições em nossa bela cozinha. Uma casa com quartos claros e espaçosos, onde quem quiser pode ter um gato, um cachorro ou uma árvore de Natal.

A heterogeneidade da velhice é resultante do estilo de vida de cada indivíduo e nisso se incluem seus hábitos rotineiros. Uma situação ideal assim poderia existir se não houvesse as diferenças, mas instiga a buscar soluções mais adequadas para manter o bem-estar e a sensação de pertencimento.

2 comments on “Como estabelecer regras em residenciais coletivos para idosos sem comprometer os desejos dos moradores?

  1. Fique aqui pensando sobre as iniciativas públicas que promoveram os canis em albergues para moradores de rua em SP e seus companheirinhos…quem sabe seja possível ampliar para as ILPI’s do futuro também, e tornar as regras dos residenciais coletivos mais flexíveis? 😀

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    • Raquel, seria mesmo uma alternativa. O que geralmente ocorre é que pode representar um aumento de custo, pela necessidade de manter veterinário periodicamente, além das exigências da vigilância em saúde. Mas concordo que um pouco de boa vontade pode mudar esse cenário de perdas e, até mesmo, estimular a convivência com animais, o que é muito recomendável… Boa sugestão!

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