Que dimensões devem ser observadas para que haja uma boa relação entre idosos institucionalizados e auxiliares do cuidado?

Nem sempre a mudança para residenciais assistidos decorre da decisão do próprio idoso, embora seja sempre preferível para que os impactos sejam minimizados. Basicamente, são duas questões que podem causar sofrimento: primeira, a necessidade de deixar para trás seus objetos, muitos deles coletados como parte da história do indivíduo e, portanto, responsáveis pela sua memória afetiva. Levar alguns será sempre um modo de manter vínculos positivos com o passado e dependerá do espaço disponível para tal, podendo ser desde ornamentos até móveis que mantenham a familiaridade do lugar. O segundo impacto refere-se à convivência diária com pessoas que não conhecia e com as quais passa a compartilhar momentos da sua vida a partir daí.

Outros moradores apresentam diferentes possibilidades, pois haverá alguns que podem oferecer acolhimento, seja através de uma recepção efetiva na chegada ou, simplesmente, demonstrar interesse em interagir através de sorrisos e atitudes simpáticas. Certamente novos vínculos podem surgir a partir de afinidades, descobertas ao longo do tempo e normalmente durante as refeições, quando há a aproximação pelos grupos de moradores que dividem a mesma mesa. Os residenciais oferecem sempre programações com atividades diversas, sejam culturais, sejam para exercícios cognitivos, mas sempre buscando oportunidades de socialização.

Porém, a equipe encarregada do cuidado sempre estará circulando entre os moradores, seja para auxiliar na mobilidade, administrar medicamentos nos horários recomendados ou para atender a demandas de higiene quando o idoso necessita, e esta convivência muitas vezes cria situações incômodas. Normalmente há treinamento para que esses profissionais sejam sensibilizados quanto à melhor maneira de tratar os moradores, mas muitas vezes há diferenças culturais que perturbam significativamente esse relacionamento que, mesmo sendo eventual, dificulta a convivência diária.

É preciso conhecer a experiência do candidato ao serviço, o que normalmente já é considerado, mas sem algum teste psicológico que ratifique seu relato. “Gostar de gente idosa” não é argumento, ao contrário: de algum modo, demonstrar que respeita histórias de vida e que pode aprender com a convivência, isso sim, estaria mais adequado. Em geral são pessoas preparadas para um trabalho braçal e há alguma dificuldade em compreender que não basta estar ali para atender fisicamente, mas também, para interagir com gestos ou palavras que possam amenizar constrangimentos em necessidades imperiosas.

Há algumas dimensões a serem observadas pelos gestores dos residenciais, de modo a que não se torne um problema mais grave. Uma supervisão dos serviços, assim como a escuta atenta sobre as impressões dos moradores, pode evitar situações de conflito, inclusive com o pessoal de manutenção. O tempo dedicado ao morador idoso vai depender sempre da qualidade da interação, tão melhor conduzida quanto mais possível for a afinidade a ser criada.

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