Até que ponto a tecnologia pode suprir a solidão de idosos que residem em moradias institucionais?

Em tempos de pandemia, alguns aspectos relativos às limitações dos idosos ficam mais evidentes. Um deles é a solidão, nem sempre suprida pela companhia de cuidadores, preocupados em atingir metas e cumprir objetivos definidos para a assistência correta. O papel desses profissionais está ainda mais premido por atitudes de prevenção, além da tensão evidente de cuidar da própria família. Vale refletir sobre a qualidade desses relacionamentos.

Percebe-se a carência de encontros realmente significativos, o que pode ser justificado pelas diferenças culturais entre esses atores. Porém, a sensibilização para buscar oportunidades enriquecidas pelo reconhecimento desses valores deve partir de lideranças que compreendem o indivíduo como um conjunto complexo, demonstrando características de personalidade através de comportamentos nem sempre amistosos. Impor mais solidão a quem já deixou para trás pessoas, objetos e lembranças, é o mesmo que punir esse indivíduo por ser velho, evitando fazer parte deste momento na história. Até mesmo idosos demenciados podem reconectar-se com seu passado e reviver momentos nesse percurso de vida.

O papel do cuidador não será somente o de administrar medicamentos, apoiar corpos frágeis e facilitar atividades, tais como alimentação e higiene pessoal. Será, também, o de ator presente e ativo na cena do momento, interagindo positivamente nos pequenos sucessos e ou nos grandes fracassos, incentivando o indivíduo cuidado a seguir em frente. Quanto há apatia, seja em função da demência ou como consequência dos sentimentos de solidão, contar uma história, comentar casos frugais, propor atividades ou aproximar a outros sujeitos animados, são iniciativas que podem transformar. Se toma tempo, um planejamento com a equipe pode racionalizar os esforços, tornando-os mais propensos a serem bem-sucedidos. Para tanto, treinamento e integração são fundamentais quando o objetivo maior é fazer um atendimento que promova efetivo bem-estar. O cuidador não é um robô e, portanto, não pode comportar-se como tal.

O uso de tablets facilita a comunicação eficiente entre os componentes da equipe e o monitoramento dos idosos, assim como aparelhos eletromecânicos avisam dos horários previamente definidos para aqueles a quem administrar um medicamento ou alimento/água. Se tiverem música suave, podem alertar com alegria para avisos diversos, gerando bem-estar de residentes e colaboradores. O contato humano é imprescindível, por isso o tempo é valioso. O que definitivamente justifica o uso de robôs é quando assumem o papel de coadjuvantes do cuidado. Ao facilitar o serviço do cuidador profissional, o uso do tempo pode ser direcionado para a interação com o sujeito central, seja na estimulação cognitiva através de exercícios, da memória com o uso de música, literatura e/ou fotos, da mobilidade pelo deslocamento em busca de novas ambiências ou, simplesmente, pela consolidação de vínculos que valorizem talentos mútuos. Mais ainda em tempos de Covid-19.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.