Qual a importância de preservar a autonomia para garantir uma longevidade bem-sucedida?

Qualquer pessoa deseja ter controle sobre sua vida, especialmente em atividades corriqueiras e que garantam o prazer de agir por conta própria. A dependência pode levar à diminuição da autoestima, além de inibir iniciativas que poderiam preencher o tempo de modo produtivo. De acordo com o dicionário Michaelis online (https://michaelis.uol.com.br/busca?id=EMnj), autonomia é, entre outras definições:

  • Capacidade de autogovernar-se, de dirigir-se por suas próprias leis ou vontade própria; soberania.
  • Liberdade moral ou intelectual do indivíduo; independência pessoal; direito de tomar decisões livremente.
  • Liberdade do homem que, pelo esforço de sua própria reflexão, dá a si mesmo os seus princípios de ação, não vivendo sem regras, mas obedecendo às que escolheu depois de examiná-las.
  • Preservação da integridade do eu.

No documentário Autonomy (Estados Unidos, 2019), o jornalista britânico Malcolm Gladwell discorre sobre os impactos que os carros autônomos podem trazer à sociedade, desde suas vantagens até seus aspectos discutíveis (https://vimeo.com/ondemand/autonomy). O mais significativo diz respeito ao prazer que muitos motoristas sentem em controlar a máquina em suas mãos, o que justifica a preferência de alguns por câmbio mecânico ao invés do automático. A sensação de estar à mercê de um programa de inteligência artificial pode significar um sentimento de inutilidade, medo e insegurança.

Então, o que dizer de idosos que passam a viver em moradias coletivas e sentem-se subjugados por regras que os limitam e tolhem o poder de decisão sobre buscar um copo d’água, comer sem muitos ruídos ou tomar banho auxiliado, mas com a privacidade preservada? Regulamentos são necessários quando se vive em comunidade, mas muitos deles são definidos sem negociar com os principais envolvidos, sendo definidos pela perspectiva dos gestores. O resultado é a transformação dos comportamentos originais, alterando a “integridade do eu”. Levando em consideração as diferentes histórias de vida e a cultura de cada morador, buscar pontos comuns pode não atender a todos, mas certamente dá voz aos participantes das decisões e lhes garante o poder de agir e pertencer ao grupo.

Ter objetivos, mesmo quando a fragilidade física avança ao longo do tempo, é o combustível para que a pessoa idosa se perceba útil e capaz. Mesmo quando houver perdas cognitivas, sob supervisão é importante permitir que atenda seus desejos pelo maior tempo possível, até como treino das capacidades. A tecnologia assistiva, seja por dispositivos de apoio, seja por equipamentos programados para alertar sobre rotinas, é um coadjuvante importante para que a autoestima seja mantida e o envelhecimento bem-sucedido. Ambiências acolhedoras e resolutivas são fundamentais para isso, resultando em bem-estar a moradores, colaboradores e familiares.

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