É possível definir uma única realidade ao conceber a moradia ideal para a velhice?

A busca por alternativas de moradia na velhice tem encantado mais os pesquisadores, influenciando também os investidores que veem, talvez até tardiamente, que no Brasil temos poucas opções e que há um preconceito muito arraigado sobre esses equipamentos. Talvez por serem tratados como instituições, o que já sugere um sistema fechado e controlador, muitos ainda declaram a adoção desse tipo de moradia como último recurso para os idosos, o que acaba por limitar até a busca por soluções inovadoras. Por serem reguladas pela ANVISA através da RDC 502:2021, qualquer outra proposta que não dependa desse controle pode parecer estranha, ainda mais por serem denominados condomínios sêniores e serem oferecidos como outros quaisquer, apenas com propostas de outros serviços já agregados, além dos básicos. 

Então, como definir onde morar na velhice? A resposta vai depender de como cada pessoa constrói seu envelhecimento, além de considerar como deseja organizar seu espaço de vida. Alex Bretas, especialista em Educação com foco em aprendizagem autodirigida, apresenta ideias sobre o futuro das coisas (https://ofuturodascoisas.com/tudo-que-e-visto-e-sempre-visto-por-alguem/).

Por muito tempo, os debates filosóficos sobre o que constitui a realidade apontavam para dois polos opostos: o materialismo, ou seja, a afirmação de que a realidade existe independentemente do observador, e o solipsismo, que afirma que tudo que existe só existe por causa do olhar de um observador. No entanto, diversos pesquisadores e pensadores já convergiram para uma terceira possibilidade de constituição da realidade:a intersubjetividade. A partir dessa perspectiva, “objeto e sujeito só existem relacionalmente”.

Cada pessoa define suas rotinas, em geral compartilhadas com outros familiares e, nessa perspectiva, cria seu modo de morar. Muito além das questões de capacidade cognitiva e funcionalidade, os hábitos que caracterizam os estilos de vida são representados na moradia através dos objetos e do modo de organizá-los, o que determina a personalidade de cada lugar.

Nosso conhecimento – e todo o conhecimento passível de ser construído por todos os seres – é fruto de correlações internas. A depender de sua “aparelhagem” cognitiva, a depender do seu histórico de experiências e como lidou ou não lidou com elas, cada ser vivo irá perceber, interpretar e agir no mundo de maneira diferente. Cada ser vivo constrói a sua própria realidade, ou seja, não é possível para nós conceber a realidade independente de um observador.

A ideia de “terminar a vida em um asilo”, que até hoje assombra muitas pessoas que se veem avançando na velhice, deveria ser revista e, a partir da análise dos lugares que elas mesmas estabeleceram como sendo seus, projetar um futuro que ofereça continuidade mesmo quando há necessidade de algum auxílio. Ser modular é pensar na sua própria moradia no futuro, construindo esse conceito para garantir segurança, tranquilidade e bem-estar, mantendo-se conectado e ativo socialmente em qualquer condição de saúde.

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