Ambientes sensoriais em residenciais para idosos podem estimular as conexões entre seus ocupantes?

A ideia mais recorrente para a concepção de espaços em moradias institucionais para idosos é que devam parecer “casa da vovó”, ou que se assemelhem aos espaços das residências originais de cada morador. Mas isso é impossível! Cada pessoa traz consigo suas preferências, seus estilos de vida e seus valores. Portanto, como chegar a um denominador comum, sem comprometer o princípio de uma continuidade de elementos compositivos nos ambientes comuns? Os dormitórios podem (e devem!) receber objetos pessoais e definir cores preferidas de cada morador, mas as áreas compartilhadas serão novas e devem provocar essa novidade para que se tornem interessantes e marquem claramente que houve uma mudança, que será feliz se houver aprovação inclusive dos colaboradores e visitantes. 

Na reportagem do jornalista Nilbberth Silva, destaca-se a importância das cores e formas em elementos inusitados na composição de ambientes coletivos, neste caso no lounge de um residencial para idosos na cidade de Kawagoe, especialmente nos que se encontram os visitantes com os moradores (https://casavogue.globo.com/Interiores/Ambientes/noticia/2014/12/cores-vibrantes-para-o-abrigo-de-idosos.html). A arquiteta francesa Emmanuelle Moureaux, que atua no Japão, desenvolveu essa proposta, onde investindo em muita intensidade visual.

Na sala de convívio, 45 móbiles com esferas coloridas dançam no ar. As 225 bolinhas são visíveis desde a entrada do abrigo. Também é possível enxergá-las da cafeteria, separada do espaço apenas por estantes vazadas brancas.

O uso de elementos que balançam de acordo com o deslocamento do ar pelo vento ou através dos movimentos de passagem das pessoas, aspecto tão atraente quanto o fato de serem coloridos e arranjados de forma harmônica, imprimem uma sensação de mudança constante, o que sugere que essa fase da vida assumida na moradia pode igualmente ser surpreendente. 

Os móbiles têm tamanhos variados e se apresentam em 15 cores diferentes. Eles contrastam com as poltronas em diversos tons de verde e os bancos da lanchonete, azuis como o céu.

Soma-se a essa possibilidade o uso de aromas variados, sempre de modo suave para provocar o resgate de reminiscências. Igualmente outros elementos visuais, como paisagens naturais em jardins ou mesmo em painéis estrategicamente colocados, trazem a sensação de ampliação do espaço vivido. Outro aspecto importante diz respeito aos sons, que podem reproduzir ruídos agradáveis da natureza ou música, igualmente reproduzidos suavemente para serem percebidos com sutileza. 

Ambientes sensoriais em residenciais para idosos podem estimular as conexões entre seus ocupantes, pois estimulam os sentidos de todos e provocam interações sociais, aspecto fundamental para o bem-estar de moradores, aumentando o pertencimento, de familiares, mais otimistas com a situação.

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