O compartilhamento de residência pode ser uma boa alternativa para pessoas que envelhecem ativamente?

Este é um assunto que volta ao Ser Modular, pois já há experiências brasileiras que permitem considerar a coabitação de não familiares como uma alternativa interessante e adequada a muitas situações, especialmente àqueles que buscam um envelhecimento ativo que envolva conectividade, viabilidade e sustentabilidade. 

O jornalista Eduardo F. Filho reporta que essa é uma opção que deixou de favorecer somente estudantes, passando a representar uma alternativa de moradia por mais tempo e independente de necessidades específicas (https://istoe.com.br/novas-republicas/).

Em meados de 2016, Marta Monteiro, 67 anos, procurava um apartamento para morar em São Paulo. Os preços exorbitantes a impediam de achar o lugar perfeito, e a idade a impossibilitava de conseguir uma vaga em repúblicas estudantis. Mas durante um curso sobre novos tipos de moradia ela conheceu Veronique Forat, 64 anos. Juntas, as duas, que já trabalhavam em ambientes de coworking, onde diferentes empresas dividem o mesmo espaço, começaram a rabiscar um projeto de trabalho em que pessoas de diferentes idades, mas com características e gostos parecidos, pudessem compartilhar o mesmo ambiente para morar por uma faixa de preço menor em relação ao aluguel de apartamentos com um quarto. E assim nasceu a Coliiv, que hoje é uma das maiores empresas de coliving, ou moradia por compartilhamento, do Brasil.

Certamente não é apenas o desejo de buscar uma alternativa econômica e racional de morar, mas envolve o sentimento de pertencer a um grupo que apresenta interesses comuns, apoiando-se mutuamente e possibilitando a criação de vínculos significativos. Mas se nem em família a convivência é fácil e depende de muita tolerância, certamente a reunião de grupos com perfis semelhantes é uma operação bastante delicada e exige uma prospecção cuidadosa.

Há ainda o receio de morar com pessoas desconhecidas. A segurança e a confiança ainda são os fatores que mais importam na escolha de um apartamento. Sem contar os problemas de convivência. 

As moradias institucionais recebem pessoas de diferentes procedências e as acomodam geralmente em apartamentos compartilhados. Não é pelo avanço da idade que as pessoas se tornam mais difíceis de conviver, mas sim pelas idiossincrasias que todos apresentam em função de cultura, histórias de vida e experiências ao longo dos anos. Sempre será necessária uma análise do perfil para tentar convivências harmônicas, mesmo quando houver a necessidade de tolerar as diferenças de comportamento. Se a chegada de um novo morador em um coliving acontece após uma análise do seu perfil e de seus objetivos, do mesmo modo os moradores de ILPIs devam ser distribuídos nas áreas privativas. Afinal, é preciso buscar a soma de competências visando ao crescimento de todos, especialmente na velhice.

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