Alterações na moradia podem melhorar a condição psicológica das pessoas em processo de luto?

Os estudos em Gerontologia abordam o processo de envelhecimento, sendo a velhice uma fase desse ciclo. Se situações críticas, tais como a morte de pessoas queridas e outras perdas significativas, afetam esse processo, é preciso refletir sobre quais são os caminhos para seguir em frente. A pandemia que ainda vivenciamos escancarou essa situação, em especial a perda muito rápida de familiares e a dificuldade de enfrentar o luto.

Um Ninho para Dois (EUA, 2021) apresenta a história de um casal que perde a filha ainda muito pequena e enfrenta o luto de maneiras diferentes. Ele mergulha em uma depressão profunda e decide pela internação em uma clínica psiquiátrica, embora sabote o próprio tratamento porque não quer voltar para casa e para o convívio com a esposa. Ela continua em casa e busca alternativas para o preenchimento do tempo, trabalhando em um supermercado e decidindo sobre a retomada à normalidade apesar da imensa dor (https://cinepop.com.br/critica-netflix-um-ninho-para-dois-melissa-mccarthy-brilha-em-dramedia-sobre-luto-e-depressao-313235/).

Fazendo profundas e sensíveis associações entre a natureza e seu poder constante de adaptação e renovação, Um Ninho para Dois é uma história de amor com a vida, que explora os estágios do luto e as diversas formas de lidar com uma trágica perda. Trazendo para o centro da trama a história de um casal que perdera a pequena filha para uma doença incompreensível, Harris faz uma delicada análise sobre a dor, à medida em que convida a audiência para uma jornada de autoavaliação, reflexão e compreensão.

Com o jardim descuidado havia muito tempo, ela decide criar uma horta, apesar das investidas de um pássaro que a enfrenta para proteger seu próprio ninho. Por outro lado, desfaz-se dos objetos da filha e dos assentos da sala de estar, trocando tudo por uma poltrona. A sala esvaziada representa bem sua tristeza, mas ao mesmo tempo significa a tentativa de recomeçar. 

Abordando temas fundamentais como esperança e fé, a dramédia é capaz de se tornar muito mais que uma cuidadosa conversa sobre luto com famílias que perderam tudo na era do Covid-19. Por criar uma inesperada ligação entre uma mulher em sofrimento e um pássaro livre e destemido, Um Ninho para Dois ainda consegue ser uma bela analogia à surpreendente criação de Deus e nos lembra que há sempre um novo e inspirador começo a ser traçado após uma sombria e dolorosa caminhada.

Para muitas famílias que perderam até mais de um parente próximo, recomeçar a partir daí certamente foi e será muito doloroso, pois em geral há marcas importantes dessas pessoas e seus objetos fazem lembrar o tempo todo. Se for difícil descartar, encaminhar para outros usuários pode ser um modo de entender que eles irão usufruir, numa ideia de continuidade mesmo que em outros contextos. Mudanças de leiaute, assim como de revestimentos e cores, também podem trazer novos objetivos e um alívio com a renovação. A dor vai diminuir com o tempo, pois é preciso vivenciar o luto, mas essas medidas podem ajudar.

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