Por que muitas pessoas idosas desenvolvem doenças por sentirem-se muito sós?

Já está comprovado que a solidão pode alterar a saúde mental de pessoas de qualquer idade, mas em idosos isso pode acarretar consequências mais sérias pela diminuição da mobilidade e de sentidos que tornam ainda mais difícil a retomada de uma vida ativa. A interação social com familiares e amigos é fundamental para manter o cérebro ativo, mas não basta estar entre pessoas conhecidas para que ela aconteça de fato.

Um médico na Espanha trata a solidão como diagnóstico para diversas alterações na saúde de pessoas mais velhas e considera este um fator a ser melhor abordado pelos órgãos governamentais (https://www.niusdiario.es/sociedad/sanidad/soledad-diagnostico-mujeres-mayores-solas-consulta-medico-hablar-vejez-depresion_18_3288348322.html).

Quem fala é Juan Martín Fernández D’Eboli, médico do centro de saúde de Beniopa, pertencente a Gandía (Valência). Do seu pequeno consultório, e com a ajuda das redes sociais, este médico uruguaio tenta chamar a atenção para uma realidade que vive todos os dias, mas que, diz, estamos deixando de lado.

Segundo ele, muitos pacientes com mais de 65 anos, na maioria mulheres, vão ao seu consultório referindo problemas que, geralmente, não apontam uma razão médica que justifique a consulta. Na realidade, percebe que querem conversar e desabafar situações relacionadas à solidão, chegando a chorar e demonstrar que se sentem aliviados após a conversa, sem necessidade de tratamentos, embora muitas vezes possam desenvolver problemas cardiovasculares e outras condições limitantes.

A grande maioria dessas mulheres mais velhas que vêm ao seu consultório “para conversar” mora sozinha. Embora Martín alerte algo importante: “Solidão não significa viver sozinho, e viver sozinho não significa necessariamente solidão”. Falamos, portanto, de solidão na velhice, mas de solidão “indesejada”.

A percepção de sentir-se só e invisível junto a uma comunidade que nem nota sua presença faz com que aumente a insegurança de não ter com quem contar em caso de emergências domésticas. A dificuldade em pedir ajuda piora à medida em que o distanciamento social se consolida, podendo gerar falta de apoio comunitário simplesmente porque não interagir com vizinhos e amigos pode sugerir o desejo de estar só.

Este médico também deixa claro que, dada a dimensão do problema e as características das pessoas que o sofrem, seria necessário ser proativo. “Não espere que as pessoas venham, vá encontrá-las.” Apela a uma “intervenção social coordenada entre as administrações” para lidar com o problema. E fazer isso agora.

Políticas públicas de apoio comunitário coordenado pelos órgãos da administração que cuidam das questões de saúde e assistência social mantêm a visibilidade de muitos desses atores sociais e podem evitar intervenções mais drásticas. O investimento em prevenção certamente será muito menor se a solidão deixar de ser um diagnóstico para doenças.

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