Liberar o uso de máscaras em espaços públicos garante que haja interações sociais como antes da pandemia?

Com o avanço da vacinação e a queda de casos graves de infecção pela Covid-19, muitos lugares em todo o mundo liberaram o uso das máscaras inicialmente em ambientes abertos, ampliando depois para locais fechados. Em alguns casos, os governantes voltaram atrás pela reincidência da doença, principalmente pela identificação de novas variantes. Atualmente, países asiáticos voltaram a fechar em função do agravamento da pandemia, o que pode atingir também o restante do mundo.

Além dos riscos à saúde, a partir da fragilização do organismo, há o crescente risco à qualidade de vida, causados pela consequência econômica que gerou quadros de inflação muito alta em função do desequilíbrio causado pelo desemprego e reestruturação de muitas empresas. Isso foi agravado pela guerra empreendida pela Rússia no avanço contra a Ucrânia, gerando embargos e revisões de preços a partir da distribuição de combustíveis fósseis e commodities sob o controle russo. Enfim, a retomada da normalidade ainda está longe de acontecer.

Sim, a vida continua… Mas os riscos ainda estão presentes, mesmo que a vacinação avance. Esse processo que inclui várias doses ameniza os efeitos da doença, mas nem sempre será suficiente para evitar uma infecção grave e com sequelas definitivas. Sem contar as mudanças que incidiram sobre o comportamento da população, gerando desequilíbrio da confiança, da segurança e da autoestima, chegando a graves consequências na saúde mental. Aumentaram os casos de síndrome de burnout, caracterizada pela exaustão extrema, sempre relacionada ao trabalho de um indivíduo. Porém, mesmo no ambiente doméstico as mudanças de rotina exigidas imediatamente a partir de meados de março de 2020 no Brasil provocaram pressões difíceis de sublimar, especialmente em dois anos de limitações. 

Nesse público há pessoas idosas jovens e cuidadores de outras mais dependentes e, portanto, afetando muito as relações sociais. O medo da doença e, consequentemente, da morte, será uma sensação que continuará por algum tempo, ainda. Não bastam determinações governamentais sobre a liberação do uso de máscaras, há o desejo íntimo de proteção dos entes queridos e de sentir-se seguro para encontros, reuniões e confraternizações. A solidão e a sensação de abandono que muitos idosos institucionalizados sentiram em função do distanciamento social serão eliminadas aos poucos, pois a retomada da normalidade vai levar tempo depois de tanta tensão emocional.

Mesmo se houver novas crises sanitárias causadas pela Covid-19, pelo menos agora é possível aproveitar as lições aprendidas com os dois anos passados. Interações sociais serão mais seletivas, a informação sobre os limites de cada pessoa deve já estar reconhecida. Pessoas idosas estarão novamente dispostas ao necessário compartilhamento de ideias e histórias, mas não será como antes. Cabe a cada um, que viveu todas as tensões e que continua ativo, decidir quanto ao uso da máscara como equipamento de proteção necessário.

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