Como se espera que sejam as reuniões de família nesta Páscoa após tantas transformações sociais?

Páscoa é tempo de reflexão para os cristãos que acreditam na renovação da fé, quando se comemora a ressurreição de cristo, embora já fosse comemorada pelo povo judeu antes do surgimento do Cristianismo, por terem sido libertados da escravidão no Egito, que durou aproximadamente 400 anos. Os símbolos mais tradicionais: o ovo, relativo ao renascimento, e o coelho, sobre fertilidade e esperança de vida, têm sido traduzidos em doces e chocolates para serem presenteados a adultos e crianças, trazendo cores e sabores ao domingo de Páscoa. Aguardado com ansiedade por crianças que são estimuladas a procurar seus presentes e brincar em família, esta é uma oportunidade de refletir sobre seu significado, em especial entre gerações, de modo a compartilhar emoções que resgatem bons momentos. A moradia de pessoas idosas pode significar ainda mais do que isso, pois a ideia de tradição familiar, vínculos de carinho e cuidado, histórias de vida e memórias de infância convergem para a casa dos avós, onde o acolhimento é a tônica das relações intergeracionais.

Neste ano de 2022, refletir sobre as lições aprendidas com a pandemia pela Covid-19, a invasão da Rússia e a crueldade da guerra contra a Ucrânia, as consequências econômicas mundiais decorrentes desses fatos e as constantes crises causadas pelas mudanças climáticas, tem colocado ainda mais em cheque a fé de quem mais sofre com essa situação. Muitas famílias perderam entes queridos de todas as idades, em alguns casos de forma completamente inesperada. Outras foram obrigadas a se reinventar no trabalho em função de mudanças de emprego ou, até mesmo, da necessidade de buscar alternativas de sobrevivência com a comercialização do que, antes, era somente um hobby, como alimentos e artesanato. A alta de preços pelo impacto da guerra na economia mundial fez com que até o alimento básico fosse racionado, para que se mantivessem as rotinas com alguma qualidade. Enfim, muitos impactos importantes para as transformações sociais.

Mas houve também novos olhares para a vida comunitária, despertados pelo distanciamento social que diminuiu o risco de contágio pela Covid-19. Maior preocupação com os velhos, mais suscetíveis ao adoecimento e mais propensos a sentirem-se abandonados, além da menor oportunidade de exercerem atividades físicas rotineiras. Assim, soluções de tecnologia para comunicação remota foram adequadas a eles, facilitando o contato e a companhia, mesmo não presencial. A solidariedade entre vizinhos mostrou-se um importante recurso para o envelhecimento na própria casa, antes apenas um ato de gentileza e, agora, uma necessidade premente. A valorização dos espaços coletivos nos condomínios, antes muito pensados para moradores mais jovens, passou a ser um atributo importante nos novos lançamentos imobiliários, considerando-se a restrição para saídas mais distantes e a possibilidade de visitantes ao ar livre.

Espera-se que as reuniões de família nesta Páscoa sejam um marco para relações ainda mais afetivas após tantas transformações sociais e que as casas dos avós sejam modulares, acompanhando as mudanças que ainda virão.

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